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ED 023

Os R$ 180 que a emissão em nome de terceiro não cobra

Transferir 20.000 milhas para outro CPF sai a R$ 9 por milheiro, e o bilhete premiado aceita qualquer nome de graça.

Dois documentos de identidade lado a lado sobre mesa escura, um cartão de embarque entre eles, com foco no cartão e o resto desfocado, sem pessoas.

A taxa que some quando o nome muda

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O pedido chega quase sempre pelo mesmo caminho. Alguém da família vai viajar, não tem saldo suficiente no próprio programa, e a conversa termina numa frase que parece óbvia: passa as milhas pra mim que eu emito.

A tela do programa colabora com a impressão. Existe um campo de CPF de destino, um campo de quantidade, um botão grande, e o fluxo inteiro leva menos de dois minutos. Nada ali sugere que o caminho escolhido tem um pedágio embutido.

O pedágio aparece na linha final da confirmação, depois que a quantidade já está digitada. Transferir 20.000 milhas para outro titular cobra uma taxa proporcional ao volume, cobrada por milheiro, paga em dinheiro no cartão e não descontada do saldo.

Nove reais por milheiro parece pequeno enquanto está sozinho na frase. Multiplicado por vinte milheiros, vira cento e oitenta reais para mover um saldo que já era seu e continuou sendo seu, só que num extrato com outro nome em cima.

O que quase ninguém confere antes de confirmar é a regra que mora do outro lado do mesmo programa. O bilhete premiado não exige que o passageiro seja o dono da conta. O titular do saldo emite, informa o nome e o documento de quem vai voar, e a companhia emite no nome informado.

Essa segunda regra não cobra taxa nenhuma pelo nome diferente. Ela é a política padrão dos programas nacionais, está escrita nos termos de resgate e vale para parente, amigo, sócio ou desconhecido, sem parentesco comprovado e sem limite de quantas vezes você faz.

As duas regras existem ao mesmo tempo, no mesmo programa, na mesma tela de menu. Uma cobra R$ 180 para mover o saldo. A outra entrega o mesmo bilhete, no mesmo assento, para a mesma pessoa, cobrando zero pelo nome.

A escolha entre elas quase nunca é feita com as duas na mesa. Ela é feita pela ordem em que as opções aparecem no menu, e transferir aparece primeiro em praticamente todos os aplicativos.

A seção a seguir coloca as duas na mesma linha, escreve o número de cada uma e mostra o que a taxa de transferência compra que a emissão direta não entrega.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ordem

O que os R$ 180 compram de verdade

Transferir 20.000 milhas para outro CPF custa R$ 180 na taxa de R$ 9 por milheiro, e emitir o mesmo bilhete premiado no nome de quem viaja custa R$ 0 pelo nome. A diferença entre os dois caminhos não está no assento nem no voo, está apenas em quem aparece como titular do saldo.

A taxa de transferência é cobrada por volume e não por operação. Mover 5.000 milhas sai a R$ 45, mover 20.000 sai a R$ 180, mover 50.000 sai a R$ 450, e o custo cresce em linha reta com o tamanho do favor que você está fazendo.

A emissão em nome de terceiro é cobrada por operação e a operação custa nada além das taxas normais do bilhete. As mesmas taxas de embarque, o mesmo número de pontos, a mesma disponibilidade de assento que você teria emitindo para si.

As cinco linhas da comparação cabem numa lista:

•  Milhas em jogo na operação: 20.000
•  Taxa de transferência por milheiro: R$ 9
•  Custo total de transferir para o outro CPF: R$ 180
•  Custo de emitir o bilhete no nome de quem viaja: R$ 0
•  Peso dos R$ 180 sobre uma emissão nacional típica de R$ 1.400: 12,9%

Todo programa de fidelidade vende duas vezes o mesmo saldo: uma vez quando você acumula e outra vez quando você tenta movê-lo. A segunda venda é a que financia a primeira.

Contra os R$ 180, a pergunta que decide é simples de formular. O que a transferência entrega que a emissão direta não entrega? A resposta honesta, na maioria dos casos domésticos, é autonomia de calendário para a outra pessoa e nada mais.

Autonomia de calendário tem valor real quando o passageiro vai remarcar sozinho, escolher assento sozinho, cancelar sozinho. Ela não tem valor nenhum quando você mesmo vai operar a conta e a viagem tem data única e fechada.

Existe um segundo custo escondido no caminho da transferência, e ele não aparece na tela. Milha transferida entra na conta do outro com validade nova, contada a partir da chegada, e o saldo antigo perde a data original de expiração que você vinha administrando.

O efeito corta nos dois sentidos. Saldo prestes a vencer ganha sobrevida no CPF de destino, e saldo com folga de validade não ganha nada, porque a data nova quase sempre é igual ou pior que a que você já tinha.

Um detalhe muda a conta inteira em operação grande. Cinquenta mil milhas custam R$ 450 para transferir, e esse valor sozinho compra a passagem paga de um trecho nacional em baixa temporada, sem tocar em milha nenhuma.

A taxa por milheiro pesa proporcionalmente igual em qualquer volume, mas o valor absoluto muda a decisão. Abaixo de 5.000 milhas ela some no arredondamento; acima de 40.000 ela vira uma passagem inteira que você está pagando para não usar o campo de nome do passageiro.

Os R$ 180 são a linha publicada, e quatro situações reais fazem a transferência voltar a valer a pena mesmo com a taxa na frente.

 
 

II  1

Quatro casos em que transferir ainda ganha

A emissão em nome de terceiro resolve a maioria dos pedidos de família, e quatro situações específicas devolvem a vantagem para a transferência mesmo pagando R$ 9 por milheiro.

O primeiro caso é o saldo fracionado. Quando a pessoa que viaja já tem 15.000 milhas e falta pouco para os 20.000 do bilhete, transferir os 5.000 que faltam custa R$ 45 e libera uma emissão que sem a soma simplesmente não acontece.

Quarenta e cinco reais para destravar um bilhete de vinte mil milhas é o melhor uso da taxa que existe. O erro é transferir o bloco inteiro quando o outro já tinha três quartos do necessário na própria conta.

O segundo caso é a campanha de bônus de transferência entre contas. Programas rodam janelas com 50% a 100% de bônus na transferência para CPF cadastrado, e nessas janelas o saldo que chega do outro lado é maior que o saldo que saiu.

Vinte mil milhas com bônus de 80% chegam como 36.000 no destino. A taxa de R$ 180 continua igual, mas agora ela comprou 16.000 milhas extras, o que sai a R$ 11,25 por milheiro criado, bem abaixo de qualquer compra direta de pontos.

As quatro portas da decisão cabem em quatro linhas:

•  Falta pouco no saldo do outro: transferir só a diferença, R$ 9 por milheiro
•  Janela de bônus de transferência ativa: transferir compensa pelo saldo criado
•  Passageiro vai remarcar ou cancelar sozinho: transferir compra autonomia
•  Viagem com data fechada e você opera a conta: emitir no nome dele, custo zero

O terceiro caso é a gestão da viagem depois da emissão. Bilhete emitido na sua conta continua sendo administrado por você: remarcação, cancelamento, check-in de milhas, tudo passa pelo seu login e pelo seu horário disponível.

Quando o passageiro é um adulto que viaja a trabalho e remarca sozinho três vezes por trimestre, os R$ 180 pagam para tirar você do meio do caminho. Quando é a sua mãe viajando uma vez no ano com data marcada, tirar você do caminho não vale nada.

O quarto caso é o limite de emissão em nome de terceiro. Alguns programas limitam quantos beneficiários diferentes você cadastra por período, e quem já bateu o limite do ano não tem a porta grátis disponível.

Nesse caso a comparação muda de forma. Não é mais R$ 180 contra R$ 0, é R$ 180 contra não emitir, e qualquer valor abaixo do preço da passagem paga vira decisão fácil.

Com os quatro casos separados, falta a rotina curta que impede a taxa de sair da conta por hábito.

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III  2

Três checagens antes de clicar em transferir

Antes das três, uma condição de cadastro. Todas pressupõem que você já abriu a tela de emissão do seu próprio programa e confirmou que existe campo para informar nome e documento de outro passageiro.

Esse campo existe em praticamente todo programa nacional e fica escondido um passo depois da escolha do voo. Quem nunca chegou até ele acredita que o bilhete sai obrigatoriamente no nome do titular, e é essa crença que financia a taxa de transferência.

Com o campo confirmado, o resto vira aritmética curta. As três checagens abaixo mexem no custo da operação ou eliminam ele por completo.

1. Compare a taxa total com o preço da passagem paga. Vinte mil milhas a R$ 9 por milheiro dão R$ 180. Se a passagem paga do mesmo trecho custa R$ 1.400, a taxa é 12,9% do bilhete; se custa R$ 500, ela passa de um terço e a operação inteira perde o sentido.

2. Cheque quanto falta no saldo do outro antes de escolher o volume. Transferir a diferença e não o bloco é o que separa R$ 45 de R$ 180 na mesma viagem. O aplicativo sugere o valor cheio; a conta certa é a subtração.

3. Procure a janela de bônus antes de transferir sem bônus. Programas anunciam campanhas com poucos dias de antecedência e a mesma taxa que compra 20.000 milhas hoje compra 36.000 na semana da promoção. Um lembrete mensal de dois minutos vale os R$ 180 sozinho.

A checagem 1 é a que mais protege dinheiro, porque impede o caso em que a taxa se aproxima do preço do bilhete inteiro. A 2 corta o desperdício no volume e a 3 troca o custo por saldo criado.

Repita o teste em toda operação acima de 10.000 milhas, porque é ali que o valor absoluto começa a doer. Abaixo disso a taxa cabe no arredondamento e a discussão consome mais tempo do que economiza.

O teste inteiro cabe numa linha. Antes de digitar o CPF de destino, abra a tela de emissão e veja se o nome de quem viaja resolve o problema sem taxa nenhuma.

Na nossa opinião: com o bilhete premiado aceitando qualquer nome de graça, pagar R$ 180 para mover 20.000 milhas só se justifica em janela de bônus, em saldo fracionado ou quando o passageiro vai administrar a viagem sozinho.

"Quantas transferências você pagou sem abrir a tela de emissão antes?"

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, quanto custa transferir 20.000 milhas para o CPF de outra pessoa, na taxa de R$ 9 por milheiro?

AR$ 45
BR$ 450
CR$ 180
DR$ 9

Resultado da última edição: 0% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Até a próxima semana. Boas decisões.

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