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Farol das Milhas   Farol das Milhas
ED 029
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O cartão para de pontuar aos R$ 15.000 e R$ 7.000 da fatura passam de graça

O teto mensal corta a contagem em R$ 15.000 de fatura, e quem gasta R$ 22.000 perde 2.560 pontos por mês, R$ 921 por ano.

Fatura de cartão impressa sobre mesa de madeira escura, cartão apoiado na borda, luz âmbar lateral, sem pessoas

O teto que para a contagem aos R$ 15.000

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Uma fatura de R$ 22.000 por mês rende R$ 2.896 em pontos por ano no cartão sem teto e R$ 1.974 no cartão que para a contagem em R$ 15.000, pelos regulamentos dos dois programas na versão consultada em 02/09/2026. Os R$ 922 que somem no caminho vêm de R$ 7.000 de gasto que passam pela máquina todo mês e voltam para casa sem crédito nenhum.

O teto não aparece na propaganda do produto. Ele mora numa cláusula do regulamento, escrita em uma linha só, que limita a pontuação mensal a um valor de fatura e ignora tudo que vier acima dele dentro do mesmo ciclo.

A contagem segue o ciclo do cartão, não o calendário. Quem fecha a fatura no dia 12 e concentra a compra grande no dia 15 empurra o gasto para o ciclo seguinte inteiro, e quem faz o caminho contrário deixa o excedente estourar o limite do ciclo que já estava cheio.

O extrato não sinaliza a perda. Ele mostra os pontos que entraram, nunca os que deixaram de entrar, e o cliente que gasta acima do teto vê um número redondo todo mês sem perceber que ele está travado no mesmo patamar desde janeiro.

O perfil atingido é específico. Quem centraliza compra de empresa no cartão pessoal, quem paga IPVA, matrícula escolar e reforma no crédito, quem virou o pagador oficial da viagem em grupo: todos passam de R$ 15.000 em algum mês e uma parte passa em todos.

A perda não nasce do teto sozinho. Ela nasce do teto somado à rotina de jogar tudo no mesmo plástico, hábito formado quando o cartão pontuava sem limite e que ninguém revisou quando a cláusula entrou no regulamento.

A seção a seguir mede o corte com o regulamento aberto: onde a contagem para, quanto de gasto sobra sem crédito e quanto essa sobra vale em reais no fim de doze meses.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ordem

Os R$ 15.000 em que a contagem para

Acima de R$ 15.000 de fatura no ciclo, cada real gasto no cartão vale zero ponto, e a contagem só volta a rodar quando a fatura seguinte abre. O limite é mensal, não anual, então o mês que estourou nunca empresta espaço para o mês que sobrou.

A taxa de acúmulo do produto é de 2 pontos por dólar, convertidos pelo câmbio de R$ 5,47 que o programa aplicou em agosto de 2026. Cada R$ 1.000 de fatura dentro do teto viram 366 pontos, e cada R$ 1.000 acima dele viram nada.

Os números do mês cabem em cinco linhas:

•  Fatura do mês: R$ 22.000
•  Fatura que pontua: R$ 15.000
•  Fatura ignorada pelo teto: R$ 7.000
•  Pontos perdidos por mês: 2.560
•  Valor dos pontos perdidos em doze meses a R$ 30 o milheiro: R$ 921

A conta dos 2.560 sai direto do câmbio do programa. Os R$ 7.000 excedentes equivalem a 1.280 dólares, e 1.280 dólares a 2 pontos por dólar dariam 2.560 pontos se a cláusula do teto não existisse.

Em doze meses o saldo cresce sozinho. São 30.720 pontos por ano que nunca entram na conta, e a R$ 30 o milheiro, preço que aparece em emissão nacional bem escolhida, o buraco anual fica em R$ 921.

Não há nada tão inútil quanto fazer com eficiência aquilo que não deveria ser feito. Peter Drucker, O Gestor Eficaz, 1967

Centralizar a compra da casa inteira num cartão travado é exatamente a eficiência inútil da frase. O gesto é organizado, dá controle e reúne tudo numa fatura só, e ainda assim entrega uma fatia do gasto a um programa que decidiu não pagar por ela.

O emissor tem motivo claro para o corte. Ponto de programa custa dinheiro no atacado, e o cliente que passa R$ 22.000 por mês consome bônus muito acima do intercâmbio que ele gera, então a cláusula existe para limitar essa fatura de dentro.

O teto também explica o preço dos produtos vizinhos. Cartão sem limite de pontuação costuma cobrar anuidade mais alta ou exigir investimento parado na instituição, e o cartão barato paga esse desconto com uma cláusula escondida no fim do regulamento.

Nem todo gasto entra na conta do teto. Anuidade, encargos de rotativo, saque e, em vários regulamentos, transferência bancária e recarga de conta digital não pontuam desde sempre, então a fatura que aparece no aplicativo já é maior do que a fatura que conta para o limite.

Com o corte medido e o motivo do emissor exposto, falta olhar o que acontece com os R$ 7.000 que sobram todo mês e para quem essa sobra pesa mais.

 
 

II  1

Sete mil reais que passam sem crédito

Os R$ 7.000 que estouram o teto todo mês somam R$ 84.000 de gasto por ano sem um único ponto creditado, um volume que sozinho emitiria dois trechos nacionais de ida e volta.

O número assusta mais do que a perda real, e as duas leituras precisam ficar separadas. O gasto de R$ 84.000 não some, ele compra o que tinha que comprar. O que some é o crédito de 30.720 pontos que o mesmo gasto geraria num cartão sem trava.

A perda cresce quando o excedente é previsível. Quem estoura por acaso em novembro perde uma vez. Quem estoura por estrutura, todo mês, contrata a perda no orçamento e paga a mesma anuidade de quem aproveita o programa inteiro.

As quatro situações do teto cabem em quatro linhas:

•  Fatura de R$ 12.000: teto nunca encosta, o programa paga o gasto inteiro
•  Fatura de R$ 22.000 todo mês: R$ 7.000 mensais fora da contagem, 30.720 pontos por ano
•  Fatura de R$ 40.000 em um mês só: R$ 25.000 fora da contagem no ciclo do estouro
•  Fatura dividida em dois cartões de emissores diferentes: cada teto conta separado

A quarta linha é a saída mais barata e a menos usada. Teto é por programa, não por pessoa, então R$ 22.000 divididos entre dois emissores com corte em R$ 15.000 cabem inteiros dentro dos dois limites e pontuam do primeiro ao último real.

O cartão adicional não resolve o problema. Ele soma na mesma fatura e no mesmo teto, então dar um adicional para a companheira aproxima o estouro, nunca afasta, e a percepção de que cada cartão tem contagem própria custa caro nessa hora.

O ciclo de fechamento é a segunda alavanca. Compra grande feita um dia depois do fechamento cai inteira no ciclo novo, com espaço fresco embaixo do teto, e a mesma compra feita um dia antes disputa lugar com o gasto que já rodou no mês.

A terceira alavanca vive no boleto. Escola, condomínio, plano de saúde e IPVA aceitam débito automático ou Pix e costumam cobrar taxa de 1% a 3% quando pagos por cartão em intermediador, então mandar essas contas para fora do plástico libera teto e ainda economiza a taxa.

O gasto de empresa merece atenção separada. Quem passa compra de CNPJ no cartão pessoal ocupa o teto com dinheiro que nem é dele, e um cartão empresarial com programa próprio devolve o espaço pessoal sem mudar nada na operação do negócio.

O produto acima do teto também precisa de conta. Migrar para o cartão sem limite de pontuação faz sentido quando a anuidade extra fica abaixo dos R$ 921 anuais que o teto come, e não faz nenhum quando o degrau de anuidade passa desse valor.

Com o excedente localizado e as alavancas na mesa, falta a rotina curta que decide para onde cada real acima do teto vai a partir do próximo ciclo.

 
 

III  2

Três destinos para o gasto acima do teto

Antes dos três, uma condição de partida. Todos pressupõem que você abriu o regulamento do seu programa e anotou dois números: o valor de fatura em que a pontuação para e a data de fechamento do seu ciclo.

Sem esses dois dados, nenhum destino funciona. O teto muda por bandeira e por variante do mesmo cartão, aparece às vezes em pontos e não em reais, e a data de fechamento costuma ser diferente da data de vencimento que todo mundo decorou.

Com o teto e o fechamento anotados, o resto se resolve em uma tarde, uma vez por ano.

1. Meça o excedente médio dos últimos seis meses. Some as seis faturas, tire a média e subtraia o teto. Se a diferença for menor que R$ 1.000, o assunto morre aqui e não vale mais nenhum minuto seu.

2. Mande o excedente para um segundo programa. Um cartão de outro emissor, com teto próprio, absorve os R$ 7.000 que hoje passam de graça. Use o cartão novo só para o que estoura, nunca para o gasto que já cabe no primeiro.

3. Tire do plástico o que não precisa dele. Boleto de escola, condomínio e imposto pagos em débito ou Pix liberam teto para a compra que pontua bem, e ainda cortam a taxa do intermediador que ninguém coloca na planilha.

O passo 1 diz se o problema existe, o passo 2 resolve o excedente estrutural e o passo 3 devolve espaço sem custo nenhum. Os três cabem numa anotação de celular e valem para qualquer programa com limite mensal declarado.

Repita a leitura em qualquer produto que prometa acúmulo, não apenas no cartão. Programa de companhia aérea, clube de assinatura e aplicativo de transporte também escrevem teto por período, e o corte sempre aparece na cláusula que fica embaixo da tabela bonita.

A revisão inteira cabe numa linha. Uma vez por ano, escreva o seu gasto médio mensal ao lado do teto do seu cartão, e quando o primeiro número for maior, decida para onde vai a sobra antes que ela vire mais um ano de 30.720 pontos que não existiram.

Na nossa opinião: o teto não torna o cartão ruim, ele apenas define o tamanho de gasto que aquele produto atende, e o erro caro é continuar passando R$ 22.000 num plástico que foi desenhado para R$ 15.000.

Dividir a fatura de R$ 22.000 em dois cartões fecha em 8.044 pontos por mês, R$ 2.896 por ano a R$ 30 o milheiro, com as duas anuidades isentas por relacionamento e nenhuma taxa de intermediador na conta (cotação de 04/09/2026).

"Qual é o teto do seu cartão, em reais de fatura?"

 
 
Quiz da edição

Na edição, a partir de qual valor de fatura dentro do ciclo o cartão para de dar pontos?

AR$ 10.000
BR$ 12.000
CR$ 15.000
DR$ 22.000

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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