In partnership with

Farol das Milhas   Farol das Milhas
ED 011

R$ 69,72 de taxa por 5.600 pontos no aluguel

O intermediador cobra 2,49% pra passar o boleto no cartão, e uma divisão diz se o ponto sai mais barato assim.

Boleto de aluguel dobrado sobre mesa escura ao lado de um cartão sem marca e de um celular apagado, sem pessoas.

Um boleto, um cartão e a taxa do meio

 

Existe uma categoria de gasto que nunca aceita cartão e mesmo assim consome a maior fatia do mês. Aluguel, condomínio, mensalidade de escola, imposto e boleto de fornecedor saem da conta corrente e não deixam nada para trás.

Os intermediadores de pagamento existem pra furar essa parede. Eles aceitam o seu cartão, quitam o boleto no nome do beneficiário e cobram uma porcentagem por prestar o serviço.

O acordo é explícito e não tem letra miúda. Você paga uma taxa em dinheiro agora pra transformar um gasto que não pontuava num gasto que pontua.

O leitor de milhas costuma ler essa oferta pelo lado errado. Ele olha a taxa e pergunta se ela é alta ou baixa, quando a pergunta que decide é outra e tem uma unidade própria.

Taxa em porcentagem não conversa com ponto acumulado. Uma é despesa em reais, a outra é saldo num programa, e as duas só se encontram numa medida que já existe no mercado.

Preço do milheiro, em reais por mil pontos, é a régua que serve pra comprar ponto, pra vender ponto e pra medir qualquer forma de acumular. É a mesma unidade que o programa usa quando anuncia promoção de compra.

Passar a taxa do intermediador por essa régua é uma divisão só. Ela devolve quanto custou cada mil pontos que entraram na conta por causa daquele boleto.

Com o número na mão, a comparação deixa de ser opinião. Do outro lado do balcão está o preço que o próprio programa cobra pra vender ponto direto, e o menor dos dois ganha.

A conta muda de resultado conforme o cartão, o valor do boleto e a taxa do dia. O mesmo aluguel pode produzir milheiro barato num cartão e milheiro caríssimo em outro.

O que não muda é o método. Divida a taxa paga pelo total de pontos creditados, multiplique por mil e compare com o preço de compra direta na mesma semana.

Um aluguel de valor comum mostra a mecânica inteira em três linhas de conta, com números que qualquer pessoa consegue conferir no aplicativo do banco.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ordem

O que a taxa de 2,49% comprou em pontos

Taxa em porcentagem e ponto acumulado só se comparam em reais por mil pontos. Veja quanto o boleto custou, de onde sai a divisão e qual taxa vira o ponto de virada.

O boleto do aluguel fecha em R$ 2.800 e vence no dia 10. Ele nunca aceitou cartão, sempre saiu da conta corrente e nunca gerou um único ponto.

O intermediador aceita o pagamento no cartão de crédito e cobra 2,49% pelo serviço. Sobre R$ 2.800, a taxa é de R$ 69,72, debitada na mesma fatura do valor do aluguel.

O cartão usado credita 2 pontos por real gasto em qualquer compra. A fatura registra R$ 2.869,72 e o programa credita 5.739 pontos no fechamento.

Fixe só o que o aluguel produziu. Os R$ 2.800 do boleto geraram 5.600 pontos, e é o número que entra na conta.

A divisão tem duas operações. Divida a taxa paga pelos pontos que o boleto gerou e multiplique o resultado por mil.

R$ 69,72 divididos por 5.600 pontos dão R$ 0,01245 por ponto. Multiplicados por mil, R$ 12,45 por milheiro. É o preço que aquele aluguel pagou por cada mil pontos.

R$ 12,45 sozinho não diz nada. Todo preço precisa de um preço do outro lado pra virar decisão, e o outro lado está no próprio programa.

Compra direta de ponto em campanha costuma sair entre R$ 28 e R$ 32 o milheiro. Fora de campanha, o mesmo milheiro passa de R$ 40 com facilidade.

Com essa régua, o boleto ganha da compra direta por uma distância grande. O ponto que veio do aluguel custou menos da metade do ponto comprado no melhor dia de promoção.

A conta ainda tem um segundo lado que quase ninguém calcula. Se a taxa subisse, até onde ela poderia subir antes de o boleto ficar pior que a compra direta?

O ponto de virada é aritmético. 5.600 pontos comprados a R$ 30 o milheiro custariam R$ 168, e R$ 168 sobre R$ 2.800 dão 6% de taxa.

Qualquer intermediador que cobre abaixo de 6% entrega ponto mais barato que a compra direta naquele cartão. Acima de 6%, comprar do programa passa na frente.

A margem entre 2,49% e 6% é o que torna a operação interessante. Ela aguenta um aumento de taxa, uma promoção fraca e ainda sobra folga.

O problema é que o denominador da divisão não é fixo. Ele depende inteiramente de quantos pontos o seu cartão credita naquela categoria, e o número varia mais do que parece.

 
 

II  1

O multiplicador decide, não a taxa

Com a taxa travada em 2,49%, o preço do milheiro salta de R$ 12,45 para R$ 134 só trocando o cartão que paga o boleto.

Fixe os R$ 2.800 e os R$ 69,72 de taxa. Só o multiplicador do cartão se mexe, e a faixa inteira aparece em quatro linhas.

Cartão que paga 2 pontos por real credita 5.600 pontos e entrega milheiro a R$ 12,45. É o cenário de cima, com folga enorme sobre a compra direta.

Cartão que paga 1 ponto por real credita 2.800 pontos, e o mesmo R$ 69,72 vira R$ 24,90 o milheiro. Ainda ganha da compra direta, mas a folga cai pela metade.

Cartão que paga por dólar muda o jogo. 1 ponto por dólar, com câmbio interno de R$ 5,40, transforma R$ 2.800 em 518 pontos, e o milheiro sai a R$ 134,59.

O último caso não é raro nem exótico. Vários cartões de entrada pontuam por dólar, e o mesmo boleto que era um bom negócio vira o milheiro mais caro do mercado.

Antes do multiplicador, vale conferir se a categoria pontua. Boa parte dos emissores exclui pagamento de conta, transferência e compra de ponto da regra de acúmulo, e o intermediador nem sempre entra como compra comum.

A maquininha do intermediador aparece na fatura com um código de estabelecimento próprio. Se o emissor classificar aquele código como serviço financeiro, o crédito de pontos cai pela metade ou não acontece.

O teste é barato e resolve a dúvida de uma vez. Pague um boleto pequeno, espere o fechamento e confira o extrato de pontos antes de passar o aluguel inteiro.

Duas forças menores ainda mexem no resultado e cabem na mesma conta. A primeira é o prazo, e ela joga a favor.

Boleto que vence no dia 10 pago com cartão que fecha no dia 15 empurra o desembolso pro vencimento da fatura, quase quarenta dias depois. O dinheiro fica na sua conta rendendo nesse intervalo.

A R$ 2.800 rendendo perto do CDI, quarenta dias devolvem por volta de R$ 30. Descontados da taxa, o custo real cai de R$ 69,72 para algo perto de R$ 40, e o milheiro vai a R$ 7,14.

A segunda força joga contra e é bem mais pesada. Fatura paga com atraso ou entregue ao rotativo cobra juros que passam de 10% ao mês, e nenhum programa de pontos cobre um custo desse tamanho.

Quem paga aluguel no cartão sem ter o dinheiro separado não está comprando milheiro barato. Está financiando moradia à taxa mais cara do sistema e ganhando pontos de consolação.

O limite também some. R$ 2.869,72 travados no cartão todo mês reduzem o espaço pra passagem, compra grande e emergência, e limite ocupado tem custo mesmo quando não gera juros.

Com a taxa medida, o multiplicador confirmado e o prazo do lado certo, falta o que a divisão sozinha não enxerga. Quatro conferências mudam o número antes do primeiro pagamento.

Quem banca a edição de hoje

125,000+ podcasts, transcribed and searchable in minutes.

Particle transcribes 125,000+ podcasts where executives, officials, and analysts talk candidly and publicly, transcribed and queryable within minutes of airing.

Watch a company, a person, or a theme with the Particle API and get alerts whenever they're mentioned.

Particle is built by former Twitter and Tesla engineers, using an AI-native transcription pipeline that delivers high accuracy and extensive data enrichment.

O clique de apoio mantém a edição gratuita

 
 

III  2

Quatro conferências antes do primeiro boleto

Antes das quatro, uma condição de comparação. O preço da compra direta que entra na conta é o da semana em que você vai pagar, não o da última promoção que ficou na memória.

Campanha de compra de ponto muda de preço várias vezes por mês. Comparar a taxa de hoje com uma promoção de três meses atrás distorce a decisão nos dois sentidos.

Com os dois preços medidos na mesma semana, a divisão vira decisão. As quatro conferências abaixo mexem no numerador ou no denominador antes de o boleto ser agendado.

1. Confirme o crédito de pontos com um boleto pequeno. Uma conta de luz de R$ 200 custa R$ 4,98 de taxa e responde a pergunta mais cara da operação. Se o extrato não creditar os pontos previstos, o aluguel inteiro nunca deveria ter passado por ali.

2. Leia a taxa cheia, não a da tela inicial. Algumas plataformas anunciam 2,49% à vista e cobram mais em parcelamento, com IOF e juros embutidos. Taxa efetiva de 4,2% no lugar de 2,49% leva o milheiro de R$ 12,45 para R$ 21.

3. Some o custo de oportunidade do limite. Se o boleto ocupa metade do limite e obriga você a antecipar fatura pra comprar passagem, o ganho da conta anterior desaparece. Limite é um recurso escasso e entra na conta como qualquer outro.

4. Cheque o prazo de repasse ao beneficiário. Intermediador costuma levar de um a três dias úteis pra quitar o boleto, e alguns levam cinco. Multa de 2% por atraso no aluguel custa R$ 56 e come 80% de toda a vantagem da operação.

O item 4 é o que mais derruba operação bem calculada. A conta estava certa, o milheiro estava barato, e a única coisa que faltou foi agendar com folga de calendário.

As quatro pedem dados que já estão no aplicativo do banco e no contrato de aluguel. Nenhuma delas pede opinião e nenhuma leva mais de dez minutos.

Refaça a conta a cada mudança de regra. Taxa do intermediador, multiplicador do cartão e preço de compra direta mudam mais de uma vez por ano, e nenhuma dessas mudanças chega por aviso.

O teste inteiro cabe numa linha. Anote a taxa em reais, anote os pontos que o boleto credita, divida um pelo outro e multiplique por mil.

Guardar esse número resolve a decisão em segundos e resolve também a dúvida do meio do caminho, quando aparece uma plataforma nova prometendo taxa menor com regra de acúmulo pior.

Na nossa opinião: com taxa de 2,49% sobre R$ 2.800 e um cartão que credita 2 pontos por real, o boleto entrega milheiro a R$ 12,45 e ganha de qualquer compra direta, mas a mesma operação num cartão que pontua por dólar cobra R$ 134 pelo mesmo mil pontos e não deveria acontecer.

"Quanto o seu último boleto no cartão pagou por mil pontos?"

 
 
Quiz da edição

O boleto do aluguel de R$ 2.800 pago no cartão que credita 2 pontos por real gerou quantos pontos, sem contar a taxa?

A2.800 pontos
B5.600 pontos
C5.739 pontos
D6.930 pontos

Resultado da última edição: 0% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🛫🛫🛫🛫🛫  ótima 🛫🛫🛫🛫  boa 🛫🛫🛫  ok 🛫🛫  ruim 🛫  péssima
 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber 

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

dias de ofensiva!

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Estreante}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
Continuar ofensiva
 
Seu ouro
{{moedas | 0}} na carteira

como ganhar mais

abrir +1 · quiz +3 · clique +5 · subir de patente +10 a +100

Troque seu ouro por prêmios digitais do acervo.

Abrir a loja
 
 
 

Até a próxima semana. Boas decisões.

Farol das Milhas

FAROL DAS MILHAS

Suas milhas, na direção certa

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter