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ED 008

Os R$ 190 do portal viram 7.200 pontos

A mesma compra sai por R$ 1.010 no site da loja, e dividir a diferença pelos pontos mostra por quanto você comprou o milheiro.

Duas etiquetas de preço diferentes presas na mesma caixa de papelão sobre mesa escura, sem pessoas.

O preço do portal ao lado do preço da loja

 

O banner ocupa a largura da tela e traz um número só: 6 pontos por real. Abaixo dele vem a lista de lojas parceiras, cada uma com o próprio multiplicador em corpo grande. O preço do produto aparece depois, menor, sem comparação com lugar nenhum.

O portal do programa é uma vitrine de multiplicadores. Ele mostra quanto cada real gasto rende de ponto e trata o preço como detalhe da tela seguinte. A ordem da informação não é acidente, é o desenho da página.

A compra sai do cartão numa transação comum, na loja parceira, com a nota fiscal da loja. Os pontos caem semanas depois, num extrato separado, com o nome do programa. Duas telas, dois momentos, e a sensação de que os pontos vieram de brinde.

Ponto não cai do céu. Ele é pago por alguém, e a única pessoa nova nessa cadeia é você. A loja repassa uma comissão ao portal, o portal converte parte dela em ponto, e o valor precisa sair de algum lugar do preço.

A cadeia inteira funciona porque cada perna dela fica num documento diferente. A comissão mora no contrato entre loja e programa, o ponto mora no extrato do programa, e o preço mora na página do produto. Nenhum dos três cita os outros dois.

O lugar de onde o valor sai costuma ser o preço final do produto, e a diferença aparece quando você abre a mesma referência no site da própria loja. Nem sempre existe diferença. Quando existe, ela tem nome e valor exato.

Ela é o preço que você pagou pelos pontos, e ninguém imprime essa etiqueta. O programa exibe o multiplicador. A loja exibe o preço. A divisão que junta os dois não aparece em tela nenhuma.

A divisão cabe em duas operações e transforma o multiplicador numa cifra em reais por milheiro, comparável com qualquer outra forma de colocar ponto na conta. Ela começa pela distância entre duas abas abertas ao mesmo tempo.

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I  Ordem

O preço do ponto sai da diferença

Duas abas abertas separam o ponto de brinde do ponto comprado. Veja o que a diferença de preço custa por milheiro, o que ela devolve e qual multiplicador paga a volta.

O portal pede R$ 1.200 pelo produto e o site da própria loja pede R$ 1.010. Mesma marca, mesmo modelo, mesma garantia, mesmo prazo de entrega. A diferença de R$ 190 é a única coisa que muda entre as duas telas.

O portal compensa a diferença com pontos. São 6 pontos por real gasto, aplicados sobre o valor da compra, o que dá 7.200 pontos creditados depois de confirmada a entrega.

Quem olha só o multiplicador vê 7.200 pontos ganhos. Quem abre as duas abas vê 7.200 pontos comprados por R$ 190, e a segunda frase leva a outra decisão.

A conta que falta tem duas operações. Divida o sobrepreço pelos pontos creditados e multiplique o resultado por mil.

R$ 190 divididos por 7.200 pontos dão R$ 0,0264 por ponto. Multiplicados por mil, R$ 26,39 por milheiro. Esse é o preço que a compra pagou pelos pontos, sem que nenhuma tela dissesse o valor.

O portal não dá ponto. Ele vende ponto embutido no preço do produto, e o recibo vem sem essa linha.

R$ 26,39 por milheiro não é bom nem ruim sozinho. É só um preço, e todo preço precisa de outro preço do lado para virar decisão.

A referência é o que você pagaria para colocar a mesma quantidade de pontos na conta por outro caminho. Compra direta de pontos em promoção costuma sair perto de R$ 30 o milheiro, e é o número que serve de régua.

Com essa régua, os R$ 190 saem baratos. Você pagou R$ 26,39 por milheiro onde a compra avulsa pediria R$ 30, uma vantagem de R$ 3,61 em cada mil pontos, ou perto de R$ 26 no total da compra.

Troque o multiplicador e o resultado vira outro. A mesma compra com 3 pontos por real credita 3.600 pontos, e os mesmos R$ 190 passam a custar R$ 52,78 por milheiro.

Nada mudou no produto, no prazo e na loja. Mudou o denominador da divisão, e ele é quem decide se a volta pelo portal vale a viagem.

Vale registrar o caso em que o sobrepreço é zero. Portal e loja com o mesmo preço fazem os pontos saírem sem custo, e aí não existe conta a fazer, só entrar na loja pelo link do programa.

O caso oposto também existe e é o que dói. Sobrepreço alto com multiplicador baixo cobra o milheiro mais caro que qualquer promoção de compra de pontos, e a compra segue parecendo vantagem porque o extrato mostra pontos entrando.

O ponto de virada tem número, e ele não depende do produto. Com o sobrepreço em mãos, existe um multiplicador mínimo abaixo do qual a volta pelo portal deixa de se pagar.

 
 

II  1

A partir de 5,3 pontos por real

O sobrepreço é fixo em reais e o crédito de pontos é proporcional ao multiplicador. Quanto menor o multiplicador, mais caro fica cada mil pontos que você levou.

Fixe o sobrepreço em R$ 190 e a compra em R$ 1.200. Só o multiplicador se mexe, e a faixa inteira aparece em poucas linhas.

Com 6 pontos por real, 7.200 pontos, R$ 26,39 por milheiro. Com 5 pontos por real, 6.000 pontos e R$ 31,67. Com 4, são 4.800 pontos e R$ 39,58.

Com 3 pontos por real, 3.600 pontos e R$ 52,78 por milheiro. Com 2, apenas 2.400 pontos e R$ 79,17. O produto é o mesmo nas cinco linhas, e o preço do milheiro triplica da primeira para a última.

O corte com régua de R$ 30 fica entre 5 e 6 pontos por real. O número exato é 5,3, e ele sai de uma continha que serve para qualquer compra.

O multiplicador mínimo sai de três valores que já estão na tela.

Divida o sobrepreço pelo preço do portal, multiplique por mil e divida pelo seu milheiro de referência. O resultado é o número mínimo de pontos por real que justifica passar pelo portal.

Com os números da compra: R$ 190 divididos por R$ 1.200 dão 0,1583. Multiplicado por mil, 158,3. Dividido por R$ 30, chega em 5,3 pontos por real.

O sobrepreço em porcentagem é quem manda no corte. Os R$ 190 são 15,8% do preço do portal, e é essa fatia, e não o valor absoluto, que a compra precisa devolver em ponto.

Carrinho de R$ 300 com 15,8% de sobrepreço pede o mesmo 5,3. Carrinho de R$ 4.000 com a mesma fatia também. O tamanho da compra não muda o corte, a porcentagem muda.

Sobrepreço de 8% derruba o corte para 2,7 pontos por real. Sobrepreço de 25% sobe o corte para 8,3, e quase nenhuma campanha de portal chega lá em categoria de eletrônico.

O corte também se mexe junto com a régua. Quem consegue comprar ponto a R$ 22 o milheiro precisa de multiplicador maior para justificar o mesmo sobrepreço, porque a alternativa dele ficou mais barata.

Com régua de R$ 22, os 15,8% só se pagam acima de 7,2 pontos por real, e a compra de 6 pontos por real que parecia boa passa a perder. O mesmo carrinho, a mesma tela, e o resultado inverte por causa de um número que é seu.

A régua é sua, não do programa. Ela é o menor preço pelo qual você consegue colocar mil pontos na conta hoje, seja comprando direto, seja transferindo com bônus de campanha.

Guardar esse número resolve a hesitação em segundos. Sem ele, o multiplicador vira torcida, e a página do portal foi desenhada para o multiplicador ser a única coisa grande na tela.

Falta o que a divisão não enxerga. Quatro detalhes mexem no sobrepreço ou no crédito antes de a compra fechar, e nenhum deles aparece no banner do multiplicador.

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III  2

Quatro detalhes antes de fechar o carrinho

Antes dos quatro, uma condição de comparação. O preço da loja que entra na conta é o preço final na sua porta, com frete, cupom aplicado e a mesma condição de parcelamento oferecida no portal.

Comparar o valor à vista de um lado com o parcelado do outro inventa sobrepreço onde não existe. Comparar frete grátis com frete de R$ 60 faz o contrário e esconde parte da diferença.

Com os dois lados no mesmo padrão, a divisão vira decisão. Os quatro detalhes abaixo mexem em numerador ou denominador antes de você confirmar a compra.

1. Confira o multiplicador da categoria. O banner costuma anunciar o teto da loja, e eletrônico, celular e linha branca quase sempre pagam menos que o resto do catálogo. Multiplicador de 6 que vira 2 na categoria certa triplica o preço do seu milheiro.

2. Some o cashback que existe fora do portal. Cashback da loja, do cartão ou do buscador entra do lado do preço da loja e aumenta o sobrepreço. R$ 50 de volta na compra direta transformam os R$ 190 em R$ 240 de diferença real, e o milheiro pula de R$ 26,39 para R$ 33,33.

3. Leia o prazo e a condição do crédito. Ponto de portal costuma cair de 30 a 90 dias depois da entrega e depende do fim do prazo de troca. Devolução parcial, troca por outro modelo e desconto aplicado depois da compra costumam cortar o crédito sem devolver o sobrepreço.

4. Confira o teto de pontos por compra. Boa parte das campanhas limita o crédito a um número máximo por pedido ou por CPF no mês. Teto de 5.000 pontos numa compra que renderia 7.200 muda o denominador e leva o milheiro de R$ 26,39 para R$ 38.

Os quatro mexem em números que já estão na tela e nenhum deles pede opinião. Eles pedem duas abas abertas e uma leitura do regulamento da campanha antes do clique.

Refaça a conta a cada compra. O preço da loja muda de hora em hora, a campanha do portal dura poucos dias e o multiplicador da mesma parceira sobe e desce dentro do mesmo mês.

O teste inteiro leva um minuto. Anote o preço final nas duas telas, subtraia, divida o resultado pelos pontos prometidos e multiplique por mil.

Na nossa opinião: com sobrepreço de 15,8% e milheiro de referência a R$ 30, a volta pelo portal só se paga acima de 5,3 pontos por real, e abaixo desse corte pagar menos na loja termina melhor que ver ponto entrar no extrato.

"Por quanto saiu o milheiro na sua última compra pelo portal?"

 
 
Quiz da edição

No exemplo da edição (compra de R$ 1.200 no portal, sobrepreço de R$ 190 sobre o preço da loja, régua de R$ 30 por milheiro), qual é o multiplicador mínimo de pontos por real que faz a volta pelo portal compensar?

A8,3 pontos por real
B2,7 pontos por real
C5,3 pontos por real
D6 pontos por real

Resultado da última edição: 100% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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