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ED 016

Trinta mil pontos e um bilhete a R$ 12 o milheiro

O único voo disponível antes do vencimento devolve R$ 12 por milheiro contra os R$ 30 da rota desejada, e o saldo zera em 30 dias.

Calendário de mesa com uma data circulada em vermelho ao lado de um cartão de embarque impresso sobre madeira clara, sem pessoas.

O saldo, o prazo e o único assento

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Trinta mil pontos vencem daqui a trinta dias e o extrato mostra a data em letra pequena, no fim da linha, ao lado do saldo.

O saldo parece dinheiro guardado. Trinta mil pontos numa boa emissão viram uma passagem de R$ 900, e essa é a conta que o titular carrega na cabeça desde o dia em que juntou o primeiro milheiro.

A conta só vale se existir assento. O valor do ponto não mora no extrato, mora na tabela de disponibilidade da companhia na data em que você precisa voar, e nos trinta dias que restam essa tabela está quase vazia.

O que sobra na janela é um bilhete só, num trecho que ninguém pediu, com saída numa terça de madrugada. Emitir esse bilhete devolve R$ 12 por milheiro, e a rota que o titular queria devolve R$ 30 por milheiro sem nenhum assento liberado dentro do prazo.

Entre os dois números existe um terceiro, e ele é zero. Deixar os trinta mil vencerem devolve nada, e é exatamente por medo desse zero que a maior parte das emissões apressadas acontece.

A pressa é justificável e cara ao mesmo tempo. Resgatar a R$ 12 por milheiro é vender o saldo por 40% do que ele valeria numa emissão planejada, e o desconto não volta depois.

O desconto tem nome contábil. Cada milheiro emitido a R$ 12 num programa em que a sua rota vale R$ 30 queima R$ 18 de valor, e trinta milheiros queimam R$ 540 de uma vez.

Deixar vencer é pior em valor absoluto e melhor em uma coisa só: não gasta taxa de embarque, não ocupa fim de semana e não coloca ninguém dentro de um avião que não queria pegar.

A decisão, portanto, não é entre R$ 360 e zero. É entre R$ 360 menos taxa e incômodo, e um zero limpo, com a régua do que aquele bilhete realmente resolve na sua vida.

A régua começa numa multiplicação de três linhas.

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I  Ordem

O piso de R$ 12 por milheiro

Trinta mil pontos a vencer em trinta dias valem R$ 360 no único bilhete disponível e R$ 900 na rota desejada, que não tem assento na janela. A diferença entre os dois números é o preço da saída forçada.

A multiplicação tem uma operação só. Multiplique o saldo em milheiros pelo valor que cada milheiro devolve na emissão que está de fato disponível.

Trinta mil pontos são trinta milheiros. A R$ 12 o milheiro, o bilhete disponível devolve R$ 360 em valor de passagem.

O mesmo saldo na rota desejada, a R$ 30 o milheiro, devolveria R$ 900. O número maior é real e inútil ao mesmo tempo, porque não existe assento premiado naquele trecho antes da data de corte.

O terceiro número é zero, e ele é o que assusta. Saldo vencido não vira crédito, não vira desconto e não aparece em nenhuma linha do extrato do mês seguinte.

As três pontas cabem em seis linhas:

•  Saldo a vencer: 30.000 pontos
•  Prazo restante: 30 dias
•  Valor por milheiro no bilhete disponível: R$ 12
•  Valor por milheiro na rota desejada: R$ 30
•  Valor total se emitir agora: R$ 360
•  Valor total se deixar vencer: R$ 0

Ponto não vale o que o extrato mostra. Vale o que o assento disponível na sua data devolve, e a sua data encurta todo dia.

R$ 360 contra R$ 0 parece decisão resolvida. Só que R$ 360 não é o que entra no bolso, é o preço de uma passagem que você não pediu.

A taxa de embarque entra do lado do custo. Uma emissão doméstica costuma cobrar em torno de R$ 120 em taxas mesmo com o bilhete pago em pontos, e a taxa sai em dinheiro no cartão.

O líquido cai para R$ 240 de valor recebido. E o valor só é recebido de verdade se alguém da casa realmente voar naquele trecho, naquela terça, naquele horário.

Aí aparece o teste que decide tudo. Se você não compraria aquela passagem por R$ 240 em dinheiro vivo, ela não vale R$ 240 para você, vale o que você faria com o assento.

Bilhete emitido só para não perder saldo tem um custo escondido que ninguém lança na planilha: dois dias de agenda, um deslocamento e uma hospedagem que a passagem não cobre.

O que muda o resultado não é a multiplicação, é o preço por milheiro que a janela curta permite. E ele cai por motivos que dá para prever com antecedência.

 
 

II  1

O que derruba o milheiro na janela curta

O valor por milheiro não é uma propriedade do programa, é o resultado da tarifa que sobrou no dia em que você foi obrigado a emitir.

A tabela de assentos premiados abre cedo e esvazia devagar. As passagens com melhor relação de pontos aparecem com cerca de 90 dias de antecedência e são as primeiras a sumir em qualquer rota concorrida.

Rota concorrida costuma liberar poucos assentos promocionais por voo, algo perto de quatro. Depois deles, a mesma poltrona continua disponível, só que numa faixa de resgate que consome o dobro de pontos.

Trinta dias antes da viagem, quase tudo que resta está na faixa cara. É por isso que o milheiro despenca de R$ 30 para R$ 12 sem que o programa tenha mudado nenhuma regra.

O segundo fator é o trecho. Rota curta e muito servida tem passagem barata em dinheiro, e passagem barata em dinheiro derruba o valor do ponto, porque o milheiro vale o que ele substitui.

Emitir trinta mil pontos num trecho que custa R$ 400 no site é entregar milheiro a R$ 13. O mesmo saldo num trecho de R$ 900 devolveria R$ 30, e a diferença está no destino, não no programa.

O terceiro fator é o dia. Terça de madrugada e quarta no meio do dia são os horários que sobram na janela curta, e são exatamente os que o mercado precifica mais barato em dinheiro.

Os números que definem o piso cabem em quatro linhas:

•  Antecedência em que a tarifa promocional costuma aparecer: 90 dias
•  Assentos promocionais por voo numa rota concorrida: 4
•  Taxa de embarque somada a um bilhete doméstico pago em pontos: R$ 120
•  Valor por milheiro considerado bom numa emissão planejada: R$ 30

O quarto fator é quem viaja. Saldo a vencer em nome do titular só emite para quem o regulamento aceita como beneficiário, e a lista costuma ser curta.

Parte dos programas permite emitir para terceiros sem parentesco, parte exige cadastro prévio do beneficiário com prazo de carência. Descobrir o prazo de carência no dia 28 dos trinta é descobrir tarde.

Existe ainda a saída parcial, e ela quase nunca é considerada. Nada obriga a queimar os trinta mil de uma vez.

Emitir um trecho curto que consuma dez mil pontos salva um terço do saldo e deixa vinte mil vencerem. Parece pior do que salvar tudo, e às vezes é melhor do que colocar a família num roteiro inventado.

A saída parcial também funciona ao contrário. Um resgate pequeno em produto do catálogo movimenta a conta e às vezes atrasa o corte de uma parte do saldo, mas o valor por milheiro no catálogo costuma ser ainda menor que os R$ 12 do bilhete.

Com o piso entendido e a lista de beneficiários conferida, falta transformar tudo em decisão antes que o calendário decida sozinho. Quatro conferências resolvem em menos de uma hora.

 
 

III  2

Quatro conferências antes do prazo fechar

Antes das quatro, uma condição de tempo. Todas precisam acontecer com pelo menos sete dias de folga em relação à data de corte, não na véspera.

Emissão premiada não é instantânea em todo programa. Confirmação de assento, cadastro de beneficiário e liberação de bilhete podem levar dias, e o saldo não espera o processo terminar.

Com a folga garantida, a decisão vira aritmética. As quatro conferências abaixo mexem no valor por milheiro ou no custo do incômodo.

1. Descubra o preço em dinheiro do bilhete que está disponível. Abra o site da companhia, procure o mesmo voo, o mesmo dia e a mesma classe, e anote o valor da tarifa sem as taxas. Esse número dividido pelos milheiros gastos é o seu valor por milheiro real, não o que o blog do programa promete.

2. Some as taxas e subtraia do valor da emissão. Taxa de embarque, bagagem despachada e marcação de assento saem em dinheiro no cartão. Um bilhete que devolve R$ 360 com R$ 120 de taxas devolve R$ 240 líquidos, e é o líquido que entra na comparação com o zero.

3. Faça o teste do dinheiro vivo. Pergunte se você compraria aquela passagem específica, naquele horário, por aquele valor líquido, com dinheiro do seu bolso. Resposta negativa significa que o bilhete não vale o líquido calculado, vale bem menos, e o zero deixa de ser o pior cenário.

4. Cheque a lista de beneficiários e o prazo de cadastro. Verifique quem o regulamento aceita e se existe carência entre cadastrar e emitir. Um sobrinho que voaria de verdade transforma R$ 240 mortos em R$ 240 usados, desde que o cadastro caiba dentro dos dias que restam.

A conferência 3 é a que mais salva dinheiro, porque é a única que mede o incômodo. Emissão apressada que ninguém usa custa a taxa de embarque e devolve o mesmo zero de quem não fez nada.

As quatro pedem dados que já estão no site da companhia e no regulamento do programa. Nenhuma delas pede palpite e nenhuma leva mais de quinze minutos.

Repita o teste a cada saldo com data marcada. Disponibilidade de assento, faixa de resgate e regra de beneficiário mudam por rota e por temporada, e nenhuma dessas mudanças chega por aviso no seu email.

O teste inteiro cabe numa linha. Divida o preço em dinheiro do bilhete disponível pelos milheiros que ele consome, subtraia as taxas e compare o líquido com o que aquele voo resolve na sua agenda.

Guardar esse número resolve a decisão em minutos e resolve também os saldos vizinhos, quando o mesmo programa aparece oferecendo catálogo, transferência bonificada ou assinatura pelo mesmo saldo parado.

Na nossa opinião: com o milheiro a R$ 12 no único bilhete disponível e R$ 120 de taxa por cima, resgatar só se paga quando alguém da casa realmente vai voar naquele trecho, e queimar o saldo em um voo que ninguém pega vale menos que o zero do vencimento.

"Quanto o milheiro do seu saldo mais próximo do corte devolve hoje?"

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, quanto costuma somar a taxa de embarque de um bilhete doméstico emitido com pontos?

AR$ 80
BR$ 120
CR$ 150
DR$ 200
 
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