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ED 039
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O cartão de 2 pontos por dólar paga 0,37 por real

Com o dólar a R$ 5,40, o gasto em reais passa pela conversão antes de virar ponto, e o cartão de 1 ponto por real rende quase o triplo.

Luneta de latão ao lado de lente de farol sobre superfície azul profunda, feixe âmbar cruzando o quadro, sem pessoas

0,37 ponto por real com o dólar a R$ 5,40

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O milheiro saía a R$ 13,36 no cartão que promete 2 pontos por dólar e a R$ 3,45 no cartão que paga 1 ponto por real, as duas contas feitas sobre R$ 120.000 de gasto no ano, com as anuidades lidas nas páginas públicas dos dois emissores em 15/09/2026. Essa distância de quase quatro vezes nasce de um detalhe de conversão: o gasto acontece em reais, a pontuação nasce em dólares, e a cotação da moeda entra no meio do caminho para encolher a promessa antes que ela chegue ao extrato.

O ponto por dólar (a pontuação calculada sobre o valor da compra depois de convertido para a moeda americana) divide cada real gasto pela cotação vigente antes de multiplicar pelo fator do cartão. Com o dólar comercial a R$ 5,40 no boletim de fechamento do Banco Central de 15/09/2026, R$ 1.000 de compra viram US$ 185,19, e o cartão de 2 pontos por dólar credita 370 pontos sobre a despesa.

O cartão que paga 1 ponto por real credita 1.000 pontos sobre a mesma compra de R$ 1.000, sem passar por conversão nenhuma. O fator 2 parece o dobro do fator 1 até a moeda entrar na conta, e aí o cartão que anuncia o número maior entrega 0,37 ponto por real gasto, pouco mais de um terço do rival.

A promessa de 2 pontos por dólar veio de um mercado onde o gasto já acontece em dólar. Nos Estados Unidos, o titular gasta US$ 1.000 e recebe 2.000 pontos, sem intermediário; o mesmo texto traduzido para o cartão brasileiro mantém o número e troca a base de cálculo, porque a fatura chega em reais.

A cotação muda todo dia e a pontuação muda junto. Uma alta do dólar para R$ 6,00 derruba a pontuação do cartão de 2 pontos por dólar de 370 para 333 pontos a cada R$ 1.000 gastos, e o cartão de 1 ponto por real segue creditando 1.000.

A seção a seguir põe as duas pontuações lado a lado sobre o mesmo gasto anual, com anuidade, bônus de transferência e o preço final do milheiro nos dois caminhos.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Conta do Ponto

O que 2 pontos por dólar valem em reais

Um gasto de R$ 120.000 no ano rende 44.444 pontos no cartão de 2 pontos por dólar e 120.000 pontos no cartão de 1 ponto por real, com o dólar comercial a R$ 5,40 no boletim do Banco Central de 15/09/2026. O cartão do número maior entrega 75.556 pontos a menos sobre a mesma despesa, e a conta ainda vai piorar quando a anuidade entrar.

A conversão explica o buraco inteiro. R$ 120.000 divididos por 5,40 dão US$ 22.222, multiplicados por 2 chegam aos 44.444 pontos, e a multiplicação por 2 nunca compensa a divisão por 5,40.

O preço do milheiro (o custo de mil pontos, a unidade em que o mercado de milhas negocia) sai da anuidade dividida pelo volume que ela produz. A anuidade do cartão de 2 pontos por dólar está em R$ 1.188 ao ano na página pública do emissor em 15/09/2026, e a do cartão de 1 ponto por real, em R$ 828.

Com transferência bonificada de 100% para o programa aéreo, os 44.444 pontos viram 88.888 milhas e os 120.000 viram 240.000. A anuidade de R$ 1.188 espalhada sobre 88,9 milheiros põe cada mil milhas a R$ 13,36; a de R$ 828 sobre 240 milheiros põe cada mil a R$ 3,45.

As quatro combinações de gasto anual e cartão ficam assim:

•  R$ 60.000 gastos no cartão de 2 pontos por dólar: 22.222 pontos, 44.444 milhas, R$ 26,73 por milheiro
•  R$ 60.000 gastos no cartão de 1 ponto por real: 60.000 pontos, 120.000 milhas, R$ 6,90 por milheiro
•  R$ 120.000 gastos no cartão de 2 pontos por dólar: 44.444 pontos, 88.888 milhas, R$ 13,36 por milheiro
•  R$ 120.000 gastos no cartão de 1 ponto por real: 120.000 pontos, 240.000 milhas, R$ 3,45 por milheiro

O gasto menor castiga os dois cartões, e castiga o do dólar em dobro. A anuidade fixa se dilui sobre um volume pequeno de pontos, o que empurra o milheiro do cartão de 2 pontos por dólar para R$ 26,73, quatro vezes o preço do rival no mesmo patamar de despesa.

Um homem que ousa desperdiçar uma hora de tempo não descobriu o valor da vida. Charles Darwin, A Viagem do Beagle, 1839

A frase de Charles Darwin cabe no extrato do cartão porque o desperdício aqui é silencioso. A pontuação some na conversão sem aparecer em nenhuma linha da fatura, e o titular só descobre o tamanho do rombo quando vai emitir uma passagem e o saldo não cobre.

O saldo não cobrir tem preço próprio. Uma emissão de ida e volta para Lisboa custava 110.000 milhas mais R$ 486 de taxa na busca do programa em 15/09/2026, o que o titular do cartão de 1 ponto por real cobre com sobra no primeiro ano e o titular do cartão de 2 pontos por dólar só alcança depois de 15 meses de gasto igual.

Com as duas pontuações medidas, falta ler qual cotação o emissor usa quando faz essa conversão.

 
 

II  A Letra Miúda

A cotação que o emissor usa não é a do dia

O contrato do cartão de 2 pontos por dólar converte o gasto pela cotação de fechamento do dia do processamento, não pela do dia da compra, e o processamento de compras parceladas e de estabelecimentos fora das capitais costuma levar de dois a cinco dias úteis. Uma compra feita com o dólar a R$ 5,40 e processada com o dólar a R$ 5,62 rende 4% menos pontos que a calculadora do próprio site prometeu.

A regra corre nos dois sentidos e nenhum deles é controlável pelo titular. Queda da moeda entre a compra e o processamento aumenta a pontuação, alta reduz, e o emissor não informa em campo nenhum do extrato qual cotação usou.

O câmbio turismo (a cotação aplicada a compras internacionais, mais cara que a comercial) aparece numa segunda regra do mesmo contrato. Compra feita fora do país entra na fatura pela cotação turismo somada ao Imposto sobre Operações Financeiras, e a pontuação, na maioria dos emissores, é calculada sobre o valor original em dólar, antes do imposto.

O detalhe inverte a conta para quem viaja. O titular que gasta US$ 3.000 numa viagem recebe 6.000 pontos no cartão de 2 pontos por dólar e paga uma fatura de R$ 17.982 com imposto, enquanto o cartão de 1 ponto por real credita os pontos sobre o valor cheio em reais e entrega 17.982.

Quatro cláusulas do contrato mudam o resultado da promessa:

•  Conversão pela cotação de fechamento do dia do processamento, com prazo de dois a cinco dias úteis após a compra
•  Pontuação calculada sobre o valor em dólar antes do imposto, nas compras internacionais
•  Categorias sem pontuação: tributos, seguros, saques, recargas de celular e transferências
•  Teto mensal de pontuação por titular, com o excedente do gasto entrando sem ponto nenhum

A terceira cláusula corta uma fatia grande do gasto de quem usa o cartão para pagar conta. Tributo, seguro e recarga somam parcela relevante da fatura de quem centraliza despesa no cartão, e nenhum deles gera ponto em cartão de 2 pontos por dólar nem em cartão de 1 ponto por real.

O teto mensal pega quem concentra gasto empresarial no cartão pessoal. O emissor limita a pontuação bonificada por titular no mês, e a fatura alta paga de uma vez passa do limite, com a despesa excedente rendendo zero.

A calculadora publicada no site do emissor costuma usar uma cotação fixa e otimista. Quem projeta o ano inteiro com o dólar da simulação recebe menos pontos que o previsto sempre que a moeda subir, e a moeda subiu em sete dos doze meses encerrados em agosto de 2026, segundo a série histórica do dólar comercial publicada pelo Banco Central.

Com a letra do contrato lida, falta a rotina curta que decide qual cartão fica na carteira.

 

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III  Três Contas Antes

Três contas antes de escolher o cartão

Antes das três, uma condição de partida. Todas pressupõem que você abriu a fatura dos últimos doze meses e anotou o gasto total, quanto dele caiu nas categorias que não pontuam e quanto foi em moeda estrangeira.

Sem esses três números nada fecha. Quem compara cartão pelo fator anunciado escolhe pelo número maior, descobre a conversão no primeiro extrato e paga uma anuidade alta por uma pontuação que não chega nem perto da simulação.

Com o histórico na mesa, o resto sai em dez minutos.

1. Divida o gasto anual pela cotação de hoje e multiplique pelo fator do cartão em dólar. R$ 120.000 divididos por 5,40 dão US$ 22.222, que a 2 pontos por dólar viram 44.444 pontos, e a conta em reais do concorrente entrega 120.000 sobre a mesma despesa.

2. Some a anuidade e divida pelo total de milheiros que cada cartão produz no ano. R$ 1.188 sobre 88,9 milheiros dão R$ 13,36 por mil milhas, contra R$ 828 sobre 240 milheiros, que dão R$ 3,45.

3. Refaça a conta com o dólar 10% acima e veja qual cartão aguenta. A R$ 5,94 o cartão de 2 pontos por dólar cai para 40.404 pontos e o milheiro sobe para R$ 14,70, enquanto o cartão em reais não se mexe.

O passo 1 mede a pontuação real, o passo 2 mede o custo de cada mil milhas e o passo 3 mede a exposição ao câmbio. O cartão em dólar só vence quando os três apontam para o mesmo lado, o que pede fator acima de 5 pontos por dólar ou anuidade perto de zero.

A decisão inteira cabe numa linha. Quem gasta em reais dentro do país fica com o cartão de 1 ponto por real; quem tem metade da fatura em moeda estrangeira e recebe benefício de sala VIP e seguro que usaria de qualquer jeito consegue justificar o cartão em dólar, desde que refaça a conta a cada alta da moeda.

Na nossa opinião: fator de pontuação anunciado em moeda estrangeira num cartão vendido no Brasil é marketing importado sem tradução, porque o titular paga em reais, recebe em pontos convertidos e assume um risco de câmbio que nenhuma linha da fatura mostra.

A carteira que fecha melhor hoje custa R$ 828 de anuidade no ano, entrega 240.000 milhas sobre R$ 120.000 de gasto com bônus de transferência de 100% e põe o milheiro em R$ 3,45, seguro de viagem e sala VIP à parte (cotação de 15/09/2026).

"Quantos pontos o seu cartão creditou na última fatura de R$ 1.000?"

 
 
Quiz da edição

No texto, quantos pontos os R$ 120.000 de gasto anual renderam no cartão de 2 pontos por dólar, com o dólar comercial a R$ 5,40 no boletim do Banco Central de 15/09/2026?

A22.222 pontos
B120.000 pontos
C44.444 pontos
D60.000 pontos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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ED 041 · amanhã às 11:11

Antecedência no resgate

O mesmo trecho nacional que custa 10.000 milhas com 60 dias de antecedência passa de 35.000 na semana do voo…

 
 
 

Até a próxima semana. Boas decisões.

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