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O mercado paga R$ 22 pelo seu milheiro
Vender o saldo cai na conta em dois dias e devolve metade do que a mesma milha entrega num bilhete internacional, com o regulamento no meio.
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O saldo vendido contra o saldo embarcado
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O aplicativo abre com o saldo dentro de um retângulo, em corpo grande: 70.000 milhas. Logo abaixo, em cinza, uma data de expiração. Nenhuma tela do programa informa quanto aquele número vale em reais, e a ausência não é descuido de projeto.
Milha é moeda com duas cotações, e o aplicativo não publica nenhuma das duas. A primeira é o que alguém paga hoje, em dinheiro, pelo saldo inteiro. A segunda é o que a mesma milha entrega quando vira bilhete, e depende do trecho, da data e da tarifa que você deixaria de pagar.
Enquanto as duas cotações ficam fora da tela, a decisão continua sendo tomada por omissão. Saldo parado também é escolha, e a fatura dela chega no dia em que a validade vence ou o assento sai da tabela de resgate.
A conversa sobre vender milha costuma travar no primeiro degrau: pode ou não pode. A pergunta é legítima, e ela é a segunda da fila. A primeira é aritmética e cabe numa unidade só: quantos reais cada mil milhas devolvem em cada caminho.
Reais por milheiro é a régua porque ela iguala coisas diferentes. De um lado, uma oferta em dinheiro que cai na conta em dois dias úteis. Do outro, uma passagem que você deixa de pagar, menos as taxas que continua pagando mesmo no resgate.
A régua também expõe o que os dois lados preferem não dizer. Quem compra saldo fala em liquidez e não menciona quanto o mesmo saldo alcançaria num bilhete internacional. Quem prega o resgate perfeito não conta quantos meses de espera e quantas buscas ele custa.
Existe um terceiro fator que não cabe em nenhuma das duas cotações. Ele mora no regulamento do programa, num capítulo que quase ninguém abre, e não muda o preço da milha: muda a chance de o saldo continuar existindo depois da operação.
Antes do regulamento, os números. Os dois preços da mesma milha, lado a lado, na mesma unidade.
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I Ordem
R$ 22 na conta contra R$ 45 no embarque
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Duas cotações medem o mesmo saldo, e só uma delas paga hoje.
O mercado de compra de milhas paga hoje entre R$ 18 e R$ 25 por milheiro nos programas brasileiros, e R$ 22 é um preço comum para um saldo limpo. Setenta mil milhas viram R$ 1.540, com o dinheiro na conta em um a dois dias úteis depois da emissão.
Esse preço tem qualidades que o resgate não tem. Ele é líquido, imediato, não depende de assento disponível, não exige data e não encolhe quando a companhia reescreve a tabela. Ele vale o mesmo em qualquer dia do mês.
Do outro lado está o preço de embarque, e ele só existe com uma passagem concreta na mesa. Uma emissão em econômica de São Paulo para Lisboa, ida e volta, sai por 70.000 milhas mais R$ 480 de taxas.
A mesma passagem, comprada em dinheiro na mesma data, custa R$ 3.600. Subtraia as taxas que você pagou no resgate e sobram R$ 3.120 de tarifa que deixaram de sair do seu bolso.
Divida por setenta e o preço aparece: R$ 44,57 por milheiro. É o que aquela milha alcançou naquele bilhete, e é o dobro do que o mercado depositaria pelo mesmo saldo.
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Vender devolve dinheiro no mesmo dia. Embarcar devolve o dobro, com meses de espera no meio.
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O dobro não é regra do programa, é resultado daquela combinação de trecho, data e tarifa. Troque um dos três e a conta muda de lado.
Repita a divisão num resgate doméstico. Um São Paulo para Recife, ida e volta, sai por 25.000 milhas mais R$ 150 de taxas, e a mesma passagem em dinheiro custa R$ 780.
R$ 780 menos R$ 150 devolvem R$ 630, divididos por vinte e cinco: R$ 25,20 por milheiro. A distância para os R$ 22 da venda encolheu para R$ 3,20, e o resgate ainda cobra a busca, a data travada e a espera.
Em trecho barato a conta vira de vez. Um doméstico de R$ 480 em dinheiro que pede 20.000 milhas mais R$ 120 de taxas devolve R$ 18 por milheiro, abaixo do que o mercado paga. Nesse resgate você trocou dinheiro por comodidade e pagou pela troca.
A divisão devolve uma conclusão estreita: o preço da venda é fixo e conhecido, o preço do resgate só existe depois que você escolhe o bilhete. Comparar os dois exige um resgate real na tela, não a lembrança do melhor que você já fez.
Quem não tem bilhete na mesa usa o histórico. Abra os três últimos resgates, some as tarifas que eles substituíram, subtraia as taxas pagas e divida pelas milhas gastas. O número que sair é a sua cotação de verdade, e ela costuma ficar longe da cotação de vitrine.
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II 1
Três condições que fecham a conta da venda
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O preço da venda só ganha quando o resgate bom não acontece. Antes de aceitar os R$ 22, o teste tem três partes: volume, prazo e destino do dinheiro.
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A primeira condição é volume dentro do prazo. Se o bilhete internacional que dobra o preço do milheiro pede 70.000 milhas e o seu extrato mostra 38.000, a distância é de 32.000.
Acumulando 4.000 milhas por mês, a distância leva oito meses. Se o lote mais antigo do saldo expira em cinco, a emissão de R$ 44,57 por milheiro não existe para você, e comparar com ela é comparar com um bilhete imaginário.
A segunda condição é a validade, e ela é a mais dura das três porque o outro lado da conta é zero. Milha vencida devolve zero real, e qualquer preço acima de zero ganha dessa alternativa.
Vale medir antes de aceitar o argumento. Saldo com validade de 24 meses e sem movimento vence em bloco, e o extrato mostra a data por lote, nunca pelo total da tela inicial.
Programas que renovam a validade a cada nova entrada mudam a conta inteira. Um acúmulo pequeno no mês, uma compra no shopping do programa ou uma transferência do cartão empurram o prazo para a frente, e a pressa de vender desaparece.
A terceira condição é o destino do dinheiro. R$ 1.540 na conta não valem R$ 1.540 sozinhos, valem o que substituem no mês em que entram.
Se substituem uma fatura no rotativo do cartão, o dinheiro rende o juro do rotativo, que ronda 15% ao mês. Nessa comparação, o saldo guardado para um bilhete daqui a oito meses perde de longe.
Se o dinheiro só vai parar em outra conta, a pressa perde o motivo. Trocar um saldo que dobraria de valor num bilhete por um depósito que rende pouco no mês é aceitar um desconto de metade sem nenhuma necessidade.
As três condições trabalham juntas, e cada uma sozinha decide pouco. Volume que não fecha, validade que aperta e dinheiro com destino caro, os três presentes ao mesmo tempo, e a venda deixa de ser prejuízo e vira preço justo.
Aparece com frequência uma quarta situação, que não é condição e sim sintoma: o saldo que só vira trecho doméstico comum. Ele encosta nos R$ 25 no melhor caso e às vezes fica abaixo do preço de venda.
Quem voa só doméstico tem uma saída antes de vender. Usar as milhas nos trechos de última hora, em que a tarifa em dinheiro dispara e a tabela de resgate demora a acompanhar, é o único resgate doméstico que costuma passar dos R$ 30 por milheiro.
Falta um item que a divisão não enxerga e o mercado prefere não citar. Ele não mexe no preço por milheiro, mexe na probabilidade de o saldo, o bilhete e a conta continuarem de pé depois que o dinheiro cai.
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III 2
A cláusula que cancela o bilhete no balcão
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O regulamento dos grandes programas brasileiros repete a mesma ideia em palavras parecidas: as milhas são pessoais, o resgate em nome de terceiros é permitido e a utilização com finalidade comercial não é.
Emitir uma passagem para outra pessoa, sozinho, não é infração. O que o texto proíbe é a venda do saldo, e a operação de compra de milhas acontece exatamente aí: alguém paga pelas suas milhas e você emite o bilhete no nome que o comprador indicar.
As punições estão listadas no mesmo capítulo e não são decorativas: cancelamento das milhas, bloqueio ou encerramento da conta, perda do status acumulado e cancelamento dos bilhetes já emitidos.
O último item é o que tira a discussão do papel. Bilhete cancelado deixa alguém sem embarque no balcão do aeroporto, e a companhia cobra a tarifa cheia de quem quiser voar assim mesmo, no mesmo dia.
O programa não depende de denúncia para chegar até você. Volume de emissões para CPFs sem vínculo, taxas pagas por cartão de terceiro e acessos do mesmo aparelho em contas diferentes são sinais que o sistema lê sozinho.
Vale dimensionar o risco em reais, que é o único jeito honesto de decidir. De um lado, R$ 1.540 pelo saldo de 70.000 milhas. Do outro, o que sobra na conta, o status do ano e o histórico inteiro de acúmulo.
1. Saldo que expira antes do próximo bilhete: o outro lado da conta é zero, e qualquer preço ganha de zero. Mesmo aqui, venda apenas o lote que vence, não o saldo inteiro.
2. Saldo que só alcança trecho doméstico comum: a diferença entre embarcar e vender fica em torno de R$ 3 por milheiro. A venda ganha em tempo e paga com risco, e a escolha deixa de ser aritmética.
3. Saldo que alcança bilhete internacional dentro da validade: vender entrega metade do valor da milha em troca de dois dias úteis de espera. A conta não fecha.
4. Conta com status alto e saldo grande: o valor exposto cresce muito acima do preço da venda, porque a punição alcança o que ficou e não só o que saiu.
Existe um caminho intermediário, e ele muda o tamanho do risco sem mexer no preço. Vender lote a lote, apenas o que está vencendo, mantém a conta ativa, o volume de emissões baixo e transforma em dinheiro o que estava indo para zero.
Duas contas fecham a decisão. A primeira é o seu preço real por milheiro nos últimos três resgates. A segunda é quanto o resto da conta vale caso ela deixe de existir amanhã.
Na nossa opinião: com o mercado a R$ 22 e o bilhete internacional a R$ 44,57 por milheiro, vender saldo que alcança emissão internacional dentro da validade é aceitar metade do preço, e o saldo prestes a vencer é a única faixa em que a venda fecha a conta, de preferência lote a lote.
"Quanto o seu último resgate pagou por milheiro?"
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Quiz da edição
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A venda paga R$ 22 por milheiro e o bilhete internacional devolveu R$ 44,57. Quanto o saldo de 70.000 milhas perde ao ser vendido?
Defenda seu título de Vigia (3 acertos seguidos garantem o primeiro).
Veja o ranking de quem mais acerta →
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