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Mercado no débito: 14.400 pontos por ano fora da conta

A função débito do mesmo cartão não credita ponto, e R$ 1.200 de mercado por mês deixam R$ 317 por ano no caixa do banco.

Cartão sobre recibo de supermercado ao lado de maquininha em mesa escura

Mercado no débito, ponto fora da conta

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A compra de R$ 1.200 no mercado custa R$ 1.200 na função débito e R$ 1.200 na função crédito do mesmo cartão (extrato de exemplo, 30/09/2026). O preço é idêntico, e a distância está no que volta: o crédito credita 1.200 pontos no mês, o débito credita zero.

O plástico não muda. É o mesmo chip, a mesma senha, o mesmo número impresso; muda a pergunta que a maquininha faz no caixa, débito ou crédito, e a resposta que sai no automático de quem paga com a cabeça na fila.

Muita família escolhe o débito no mercado por hábito de controle: o dinheiro sai da conta na hora, e a fatura do mês seguinte não carrega o supermercado. O hábito tem lógica de orçamento, e tem custo em pontos.

No cartão do exemplo, cada real gasto no crédito credita 1 ponto. A função débito não credita nenhum, nem a fração. Com R$ 1.200 de mercado por mês, o ano soma R$ 14.400 em compras e 14.400 pontos que nunca chegam ao extrato do programa.

Vendidos no balcão (as plataformas que compram saldo de pontos), esses pontos valem perto de R$ 22 o milheiro, o preço de mil pontos. A conta dá R$ 316,80 por ano, arredondados para R$ 317.

O valor não aparece em lugar nenhum. A fatura não mostra ponto que deixou de nascer, e o extrato da conta corrente registra só a compra. A perda existe e não ganha linha própria em documento algum.

Os R$ 317 pagam pouco mais que cinco taxas de embarque de R$ 62 numa viagem nacional. É dinheiro que a família já gasta no carrinho e deixa no banco sem saber.

A seção I explica por que o mesmo cartão trata as duas funções de forma diferente, e a explicação está numa resolução do Banco Central.

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I  A Conta do Ponto

A tarifa de 0,5% que paga o ponto

O ponto nasce da tarifa que o banco recebe em cada compra, e no débito essa tarifa tem teto. A tarifa se chama intercâmbio (a fatia do valor da compra que vai para o banco emissor do cartão), e é dela que sai o dinheiro do programa de pontos.

Quando o caixa do mercado passa R$ 100, a loja não recebe R$ 100. Uma parte fica com a credenciadora (a empresa da maquininha), outra com a bandeira, e a fatia do intercâmbio vai para o banco que emitiu o cartão.

A Resolução BCB nº 246, publicada pelo Banco Central em 2022, limitou o intercâmbio do débito a uma média de 0,5% do valor das compras, com máximo de 0,8% por transação.

A regra vale para todo cartão de débito emitido no país, de banco grande ou digital, e nenhum emissor pode receber acima dela.

O crédito ficou fora desse limite. Sem teto, a tarifa do crédito é maior, e o banco tem margem para devolver uma parte dela ao cliente em forma de pontos.

Nos R$ 1.200 de mercado, 0,5% dá R$ 6 por mês ao banco. Os 1.200 pontos do crédito valem R$ 26,40 a R$ 22 o milheiro. O banco não paga R$ 26,40 em pontos com uma receita de R$ 6, e a função débito fica fora do regulamento do programa.

Daí a regra do cartão do exemplo: ponto só nasce de compra aprovada na função crédito. Débito, Pix e boleto pagos pela conta corrente não entram na contagem.

A loja também prefere o débito, porque paga menos tarifa por compra e recebe o dinheiro antes. O caixa que pergunta “débito?” primeiro está defendendo a margem do mercado, não a sua.

Somado mês a mês, o débito do mercado deixa de fora:

•  3 meses: 3.600 pontos, R$ 79,20 no balcão

•  6 meses: 7.200 pontos, R$ 158,40 no balcão

•  12 meses: 14.400 pontos, R$ 316,80 no balcão

A conta cresce com o carrinho. Uma casa que gasta R$ 2.000 de mercado por mês no débito deixa 24.000 pontos fora no ano, R$ 528 no balcão.

O resgate melhora o quadro. Usados numa passagem que rende R$ 28 o milheiro, os 14.400 pontos valeriam R$ 403. O balcão a R$ 22 é o piso: o valor que o ponto tem mesmo sem viagem marcada.

A perda do débito se mede pelo piso. Os R$ 317 são o mínimo garantido, e qualquer resgate bem escolhido só aumenta a diferença.

 
 

II  A Letra Miúda

O botão da maquininha decide

O regulamento do cartão do exemplo só credita ponto em compra aprovada na função crédito, e a função se escolhe no caixa, compra por compra. Ter um cartão múltiplo (o mesmo plástico com débito e crédito) não basta: a compra passada no débito sai da conta corrente e não chega ao programa.

A primeira linha a conferir é o comprovante. A maquininha imprime CRÉDITO ou DÉBITO no recibo, e o aplicativo do banco separa as duas compras: o débito aparece no extrato da conta, o crédito aparece na fatura.

Na aproximação, a escolha some da vista. Quando o cliente encosta o cartão, muitos terminais aprovam na função padrão sem perguntar, e a função padrão de alguns cartões múltiplos é o débito. O aplicativo do banco costuma permitir trocar a função padrão da aproximação.

A carteira digital do celular segue a mesma lógica. O cartão entra na carteira como débito ou como crédito, e cada cadastro pontua conforme a função escolhida na hora do registro.

A segunda linha é o limite. Passar o mercado no crédito ocupa R$ 1.200 do limite até a quitação da fatura. Quem tem limite de R$ 3.000 e já usa R$ 2.000 em outras contas não comporta o carrinho no crédito sem estourar.

A terceira linha é o rotativo, o juro cobrado sobre a parte da fatura que fica em aberto. Na tabela de tarifas do cartão do exemplo, o rotativo custa 12% ao mês. Um único mês de rotativo sobre R$ 1.200 cobra R$ 144, quase metade do ganho do ano inteiro em pontos.

A anuidade também entra na conta. Se o cartão isenta a anuidade para quem gasta um valor mínimo por mês no crédito, levar o mercado para o crédito pode zerar a cobrança pelo gasto mínimo do regulamento.

A quarta linha é a validade. No programa do exemplo, ponto creditado vence em 24 meses. Os 14.400 pontos do ano só viram R$ 317 se forem usados, vendidos ou transferidos antes de vencer.

Compra parcelada no crédito pontua pelo valor total no regulamento do exemplo, mas mercado raramente se parcela, e as contas aqui usam só compra à vista.

Antes de levar o mercado para o crédito, quatro linhas pedem conferência:

•  Função: se o recibo e a aproximação saem como crédito

•  Limite: se o carrinho do mês cabe sem estourar o cartão

•  Fatura: se a fatura sai quitada inteira, em débito automático, todo mês

•  Validade: em quantos meses o ponto creditado vence

A linha da fatura é a que pode virar o ganho em perda. Sem fatura paga inteira, os pontos do mercado custam mais caro que o próprio mercado.

Com função, limite, fatura e validade conferidos, o crédito no caixa rende ponto sem mudar o valor da compra.

 

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III  Três Contas Antes

Os R$ 317 calculados no seu extrato

As três contas pedem dois dados: o total de compras no débito do último mês e a pontuação do seu cartão na função crédito.

O total está no extrato da conta corrente, filtrado por compras no débito. A pontuação está no regulamento do cartão, na página do programa de pontos dentro do aplicativo do banco.

1. Some as compras no débito do mês. No exemplo, R$ 1.200 de mercado, sem contar farmácia e padaria.

2. Multiplique por 12 e pela pontuação do crédito. R$ 1.200 vezes 12 dão R$ 14.400; com 1 ponto por real, são 14.400 pontos por ano.

3. Divida os pontos por mil e multiplique por R$ 22. 14,4 milheiros vezes R$ 22 dão R$ 316,80. Esse é o valor mínimo que a função débito deixa de render no ano.

O passo 1 mostra o hábito, o passo 2 mostra os pontos perdidos, e o passo 3 põe os pontos em reais.

Para uma casa de R$ 800 de mercado por mês, os mesmos passos dão 9.600 pontos e R$ 211,20 por ano; para R$ 1.500, dão 18.000 pontos e R$ 396. O cálculo leva cinco minutos com o extrato aberto e se refaz quando o carrinho muda de tamanho.

Quem usa o débito para controlar o gasto tem um caminho que mantém o controle. O lançamento do crédito aparece no aplicativo do cartão minutos depois da compra, e o débito automático da fatura tira o dinheiro da conta numa data fixa, sem esquecimento.

Na nossa opinião: para quem paga a fatura inteira todo mês, passar o mercado no débito é deixar R$ 317 por ano com o banco. Para quem entrou no rotativo no último ano, o débito continua sendo a escolha certa até a fatura voltar a zero.

Os R$ 1.200 de mercado passados na função crédito e pagos com a fatura inteira devolvem 14.400 pontos por ano, R$ 316,80 a R$ 22 o milheiro, sem tarifa nova na compra (cotação do balcão de 02/10/2026).

“Quanto do seu mercado do último mês passou no débito?”

 
 
Quiz da edição

Qual resolução do Banco Central limitou o intercâmbio do débito?

AResolução BCB nº 142
BResolução BCB nº 417
CResolução BCB nº 246
DResolução BCB nº 62

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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