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ED 021

Os 3.600 pontos por ano que o mercado não credita

R$ 1.500 de mercado por mês no cartão de 1 ponto por dólar credita 3.000 pontos ao ano, e o de 2,2 credita 6.600 pela mesma compra.

Carrinho de supermercado parado diante de um caixa fechado, com uma maquineta de cartão em foco e as prateleiras desfocadas ao fundo, sem pessoas.

O cartão que passa no caixa do mercado

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A maquineta do mercado pede o cartão às sete da noite de uma terça, com o carrinho cheio e três pessoas na fila atrás. O plástico que sai da carteira é o que estava na frente do porta-cartões.

A compra fecha em R$ 260. Ela entra na fatura no meio de outras trinta linhas e nunca mais é olhada sozinha.

No fechamento do mês, as compras de mercado somam R$ 1.500. Em doze meses são R$ 18.000, e o mercado costuma ser a segunda maior linha do orçamento de uma casa, atrás só do aluguel ou da parcela do imóvel.

A conversão para pontos passa pelo dólar. Com a moeda a R$ 6, os R$ 1.500 do mês viram US$ 250 na régua do programa, e US$ 3.000 ao longo do ano.

Um cartão que credita 1 ponto por dólar devolve 3.000 pontos por essa compra. Um que credita 2,2 devolve 6.600 pela mesma lista, no mesmo mercado, no mesmo horário.

A diferença é de 3.600 pontos por ano. Nenhum hábito mudou, nenhuma marca foi trocada, nenhum item saiu do carrinho.

Três mil e seiscentos pontos são 3,6 milheiros, e milheiro tem preço de venda. Escrito em reais, o número deixa de ser detalhe de programa e vira uma linha de orçamento como qualquer outra.

O plástico que fica na frente do porta-cartões raramente foi escolhido. Ele foi herdado do primeiro cartão aprovado, ou do banco onde o salário cai, e ficou ali por inércia enquanto o gasto do dia a dia inteiro passava por ele.

A escolha não se resolve olhando a taxa anunciada na página do banco. Acúmulo alto quase sempre vem colado a uma anuidade, e a anuidade é cobrada em dinheiro no primeiro mês, enquanto o ponto só vira dinheiro no resgate.

A seção a seguir faz a divisão que separa os dois plásticos e escreve, em reais, quanto vale cada ponto por dólar adicional nessa única linha do orçamento.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ordem

A divisão que separa os dois plásticos

R$ 1.500 de mercado por mês viram US$ 3.000 por ano na régua do programa, e cada ponto por dólar adicional vale exatamente 3.000 pontos anuais nessa única linha. A diferença entre 1 e 2,2 vale 3,6 milheiros.

A conta é curta e cabe numa linha. Divida o gasto anual em reais pelo dólar, multiplique pela taxa de acúmulo do cartão e você tem os pontos que aquela categoria gera no ano.

Dezoito mil reais divididos por R$ 6 dão US$ 3.000. A 1 ponto por dólar, são 3.000 pontos. A 2,2, são 6.600.

As cinco linhas do ano cabem numa lista:

•  Gasto de mercado por mês: R$ 1.500
•  Gasto de mercado por ano: R$ 18.000
•  Dólar usado pelo programa na conversão: R$ 6
•  Pontos anuais a 1 ponto por dólar: 3.000
•  Pontos anuais a 2,2 pontos por dólar: 6.600

A diferença de 3.600 pontos precisa virar reais para significar alguma coisa. Ponto não tem valor de face, e o preço do milheiro varia por um fator de dois dependendo da porta de saída.

Numa transferência com bônus de 100% e uma emissão bem escolhida, o milheiro sai perto de R$ 80. Três vírgula seis milheiros a R$ 80 são R$ 288 por ano, saindo só das compras de mercado.

Fora de campanha, o mesmo saldo vale perto de R$ 36 por milheiro. Os mesmos 3,6 milheiros devolvem R$ 129,60, e a decisão de qual cartão passar no caixa vale menos de onze reais por mês.

Nada na vida é tão importante quanto você pensa que é, enquanto você está pensando nele.

Daniel Kahneman, Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, 2011

A frase de Kahneman explica por que a taxa de acúmulo parece decisiva enquanto você lê a página do banco e some assim que a fila do caixa aparece. O número que importa não é a taxa isolada, é a taxa multiplicada pelo gasto que realmente passa naquela categoria.

Um cartão de 2,2 pontos por dólar usado só para viagem, duas vezes ao ano, rende menos que um cartão de 1 ponto por dólar que carrega o mercado, a farmácia e o posto todo mês.

O gasto recorrente é o que dá escala à taxa. Mercado, farmácia, combustível e contas de casa somam de R$ 2.500 a R$ 4.000 por mês numa família de quatro pessoas, e essa base é que multiplica qualquer diferença de acúmulo.

O cartão certo no caixa é a decisão que se repete cem vezes por ano sem custo nenhum de execução.

Escrita a diferença bruta, falta descobrir quanto o banco cobra para entregá-la.

 
 

II  1

O que a anuidade cobra pelos 1,2 ponto extra

Os 3.600 pontos anuais custam a anuidade do cartão que os credita, e uma anuidade de R$ 1.188 exige que cada milheiro extra valha R$ 330 para o ano empatar.

A primeira camada é a própria anuidade. O cartão de 2,2 pontos por dólar costuma cobrar entre R$ 99 e R$ 149 por mês, ou seja, de R$ 1.188 a R$ 1.788 por ano, contra zero do cartão básico do mesmo banco.

Mil cento e oitenta e oito reais divididos por 3,6 milheiros dão R$ 330 por milheiro. Nenhuma porta de saída de programa chega perto de R$ 330, e isso encerra o caso do cartão premium comprado só pelo mercado.

A conta vira quando o gasto recorrente inteiro entra no cálculo. Cada R$ 1.000 gastos no mês geram 200 pontos extras na diferença de 1,2 ponto por dólar, que a R$ 80 por milheiro valem R$ 16.

Para cobrir R$ 1.188 de anuidade a esse preço, é preciso passar perto de R$ 6.200 por mês no cartão. Abaixo disso, o plástico anual mais barato ganha por diferença de custo, não por diferença de pontos.

A segunda camada é a categoria bonificada. Muitos programas pagam a taxa cheia só em categorias específicas e jogam o mercado numa faixa reduzida, e o supermercado é justamente a categoria que mais aparece na lista de exceções.

A terceira camada é o teto mensal de pontuação. Um cartão que anuncia 2,2 pontos por dólar pode limitar o crédito a US$ 1.500 por mês, e o gasto acima desse teto volta para 1 ponto por dólar sem aviso na fatura.

As quatro portas de saída da diferença cabem em quatro linhas:

•  Diferença anual entre 1 e 2,2 pontos por dólar no mercado: 3.600 pontos
•  Valor a R$ 80 por milheiro, com campanha aberta: R$ 288
•  Valor a R$ 36 por milheiro, fora de campanha: R$ 129,60
•  Anuidade típica do cartão de 2,2 pontos por dólar: R$ 1.188

A quarta camada é o arredondamento por transação. Programas que arredondam para baixo a cada compra descontam centavos de dólar em cada passagem, e quem faz vinte compras pequenas por mês perde mais pontos que quem faz quatro compras grandes com o mesmo valor total.

Vinte compras de R$ 75 contra quatro compras de R$ 375 movimentam os mesmos R$ 1.500. No arredondamento por transação, a diferença chega a 2% do total pontuado no ano, o que come parte da vantagem que a taxa mais alta prometeu.

A quinta camada é a validade. Ponto que expira em 24 meses cria um prazo para a diferença virar passagem, e saldo acumulado devagar em categoria recorrente é o primeiro a bater no vencimento sem alcançar uma emissão.

Existe uma saída que não depende de nenhuma dessas camadas. O cartão de anuidade zero com 1 ponto por dólar e crédito imediato preserva os R$ 1.188 em dinheiro, e R$ 1.188 compram muito mais que 3,6 milheiros em qualquer mesa de negociação.

Com as cinco camadas medidas, falta transformar a comparação numa decisão de dois minutos antes da próxima ida ao mercado.

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III  2

Quatro contas antes de escolher o plástico do dia a dia

Antes das quatro, uma condição de partida. Todas pressupõem que você sabe quanto passa por mês em gasto recorrente e conhece a taxa de acúmulo real do cartão que está na sua mão, não a que aparece na propaganda.

Com o cartão certo escolhido antes da fila, o resto é aritmética. As quatro contas abaixo mexem na taxa efetiva ou no custo fixo que ela cobra.

1. Multiplique o gasto anual da categoria pela taxa e divida pelo dólar. Some doze meses de mercado, divida por R$ 6 e multiplique pela taxa do cartão. R$ 18.000 a 1 ponto por dólar dão 3.000 pontos, e a 2,2 dão 6.600.

2. Divida a anuidade pela diferença em milheiros. Pegue a anuidade anual do cartão mais caro e divida pelos milheiros extras que ele credita. R$ 1.188 sobre 3,6 milheiros dão R$ 330 por milheiro, e esse é o preço que o resgate precisaria alcançar para o ano empatar.

3. Confira o teto mensal antes de acreditar na taxa anunciada. Abra o regulamento do programa e procure o limite de pontuação por período. Um teto de US$ 1.500 por mês devolve o gasto excedente para 1 ponto por dólar, e a taxa efetiva do ano cai bem abaixo do número da capa.

4. Some o gasto recorrente inteiro, não só o mercado. Mercado, farmácia, combustível e contas de casa passam de R$ 3.000 por mês em muitas famílias, e a mesma diferença de 1,2 ponto por dólar rende 7.200 pontos ao ano nessa base, o dobro do que o mercado sozinho entrega.

A conta 2 é a que decide mais casos, porque compara dinheiro que sai hoje com moeda que só se realiza depois. As contas 1 e 4 dimensionam o prêmio, e a 3 mostra quanto dele o regulamento já tirou.

Repita o teste sempre que um banco oferecer upgrade de categoria com pontos extras em compra do dia a dia. Um cartão de 3 pontos por dólar com anuidade de R$ 1.788 exige R$ 298 por milheiro no mesmo gasto de mercado, e continua muito acima dos R$ 80 da melhor saída disponível.

O teste inteiro cabe numa linha. Divida a anuidade pelos milheiros extras que ela compra e compare com o preço por milheiro da sua última emissão de verdade.

Guardar esse número resolve a escolha do cartão do mercado e resolve também as vizinhas, quando o banco aparece oferecendo pontos dobrados em farmácia, posto de combustível ou aplicativo de entrega.

Na nossa opinião: com a diferença de mercado valendo R$ 288 por ano no melhor cenário e a anuidade cobrando R$ 1.188, o cartão de acúmulo alto só se paga em quem passa mais de R$ 6.200 por mês, e para todo o resto o plástico de anuidade zero fica na frente do porta-cartões.

"Quantos milheiros por ano a sua anuidade está comprando?"

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, qual é a diferença anual de pontos entre um cartão de 1 ponto por dólar e um de 2,2 pontos por dólar, na mesma compra de mercado de R$ 1.500 por mês?

A6.600 pontos
B3.600 pontos
C1.800 pontos
D288 pontos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

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Dia 7 de 7 · a temporada de agosto fecha 31/08

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