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A terceira porta é o seu próprio acúmulo. Uma conta que credita 3.000 milhas por mês entre cartão, compras e transferências fecha o buraco de 12.000 em quatro meses e não gasta um real.
Visto assim, o botão não vende milha. Ele vende tempo, e o preço fica explícito quando você divide o valor pedido pelos meses que ele poupa: R$ 420 por quatro meses, ou R$ 105 pra cada mês pulado.
Nem sempre existe o mês pra pular. Casamento com data marcada, congresso, alta temporada e assento único no horário viável transformam a espera em desistência, e a disputa volta a ser entre o atalho e a promoção.
Quatro checagens fecham a decisão antes de o contador acabar.
1. Meça o buraco em meses, não em milhas. Divida as milhas que faltam pelo que a sua conta credita num mês normal. Doze mil milhas com acúmulo de 3.000 viram quatro meses, e quatro meses de espera é uma informação mais útil que o número cru de milhas.
2. Confira se o botão passa no corte do bilhete. O preço por milheiro do atalho precisa ficar abaixo do milheiro efetivo do resgate. R$ 35 contra R$ 45,75 passa com folga, R$ 35 contra R$ 33 reprova, e nenhuma pressa conserta a reprovação.
3. Veja o que a milha comprada não faz. Milha de complemento em geral não conta pra qualificação de status, não participa das campanhas de bônus e entra com a mesma validade das outras. Ela serve pra este bilhete e para nada além dele.
4. Leia a regra de cancelamento antes de fechar. As milhas costumam voltar ao saldo mediante multa, e o dinheiro do complemento raramente volta. Bilhete cancelado transforma o atalho na compra de milha mais cara do programa.
Com as checagens feitas, o tamanho do buraco entrega a resposta.
Buraco de até 4.000 milhas, o atalho vence. Custa menos que o lote mínimo da promoção, credita no mesmo minuto e o total desembolsado não passa de R$ 140.
Buraco de 4.000 até a metade do bilhete, a promoção vence sempre que houver campanha aberta e prazo até a reserva cair. Sem campanha aberta, o botão cobra R$ 7 a mais por milheiro, e a pergunta passa a ser quanto vale aquele assento naquela data.
Buraco maior que a metade do bilhete, nenhum dos dois. Num resgate de 50.000 milhas com saldo de 20.000, o botão pediria R$ 1.050 mais R$ 96 de taxas por um bilhete de R$ 1.560, e as suas 20.000 milhas teriam virado um desconto de R$ 414, ou R$ 20,70 por milheiro, abaixo do que o mercado paga por elas.
Refaça a divisão em cada emissão. O preço do atalho muda por programa, por tabela e por semana, e a tarifa em dinheiro do outro lado da conta muda de hora em hora.
Na nossa opinião: com atalho a R$ 35 e campanha a R$ 28 o milheiro, buraco de até 4.000 milhas merece o botão, e acima da metade do bilhete o botão só se justifica quando a data não é negociável.
"Quantas milhas faltavam da última vez que você apertou o botão?"
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