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ED 007

O botão de completar milhas cobra R$ 35 o milheiro

As 12.000 milhas que faltam saem por R$ 420 no atalho e por R$ 336 na promoção, e o tamanho do buraco decide qual conta vale.

Uma tela de resgate com saldo incompleto ao lado de notas dobradas sobre mesa escura, sem pessoas.

O preço do atalho ao lado do saldo que falta

 

A tela do resgate para no meio do caminho. O bilhete pede 32.000 milhas, o saldo mostra 20.000, e no lugar do botão de emitir aparece outro: complete as 12.000 que faltam por R$ 420. Abaixo dele, um contador de vinte minutos segura o assento.

A oferta chega no pior momento possível pra pensar com calma. A busca já foi feita, a data já foi escolhida, a casa já sabe da viagem, e o único obstáculo entre o embarque e o cartão de crédito virou um número de três dígitos que parece pequeno perto do preço de uma passagem.

O que a tela não mostra é o preço por unidade. Nenhuma linha diz quanto custa cada milha dentro daquela oferta, e sem o preço por unidade não existe comparação possível, nem com a milha avulsa que o mesmo programa vende em promoção, nem com o saldo que entraria na conta sozinho nos próximos meses.

Sem o número, a escolha vira questão de estômago, e quem aperta o botão nunca soube o que estava comprando.

Faltar milha pro resgate é a regra, não o acidente. O acúmulo chega em pedaços irregulares, a tabela de resgate pede números redondos, e quase nenhum saldo fecha exatamente no valor do bilhete que interessa. O botão existe porque o buraco existe quase sempre.

Três portas se abrem no mesmo minuto. O atalho do programa credita na hora e cobra o preço que quiser. A compra avulsa custa menos por milheiro, mas abre em janelas curtas e obriga lote mínimo. O acúmulo não cobra nada em dinheiro e cobra meses de espera.

Qual das três ganha não depende de coragem nem de disciplina. Depende do tamanho do buraco, e o tamanho muda a resposta de forma tão brusca que o mesmo botão pode ser a melhor e a pior escolha do mês.

A conta começa pelo número que o botão não escreve em lugar nenhum.

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I  Ordem

Quanto custa cada milha do atalho

Uma divisão separa o atalho que vale do atalho que só parece barato. Veja quanto o botão cobra por milheiro, quanto o bilhete devolve por milheiro e o corte que reprova a oferta antes de qualquer comparação.

Os R$ 420 do botão não vêm com etiqueta por unidade. Divida o valor pedido pelas milhas que faltam e a etiqueta aparece: R$ 420 divididos por 12.000 devolvem R$ 0,035 por milha.

Multiplique por mil e o número entra na unidade que o mercado usa. O atalho está vendendo milha a R$ 35 o milheiro, e a partir daí ele pode ser comparado com qualquer outra fonte de saldo.

Com o preço na mão, falta saber o que cada milheiro devolve dentro deste bilhete. O mesmo voo, no mesmo horário e com a mesma bagagem, está por R$ 1.560 em dinheiro, e o resgate pede 32.000 milhas mais R$ 96 de taxas.

Tire do preço em dinheiro as taxas que você paga nos dois caminhos. Sobram R$ 1.464 de tarifa, divididos por 32.000 milhas, o que dá R$ 45,75 por milheiro.

A subtração das taxas não é detalhe de purista. Taxa de embarque, taxa de serviço e qualquer valor cobrado à parte na emissão saem dos dois lados da conta, porque aparecem tanto no bilhete pago quanto no resgate.

Cada milheiro que o botão vende por R$ 35 devolve R$ 45,75 dentro deste bilhete, e a diferença entre os dois números é o único motivo pra apertar o botão.

Vale ver quanto sai do bolso no total. R$ 420 do complemento mais R$ 96 de taxas fecham R$ 516 pra voar num trecho que custa R$ 1.560 em dinheiro.

O desconto de R$ 1.044 saiu das 20.000 milhas que já estavam paradas na conta. Cada milheiro do seu saldo trabalhou por R$ 52,20 nessa emissão, bem acima do que qualquer comprador do mercado pagaria por ele.

O resultado não é uma propriedade do botão. Ele é uma propriedade do bilhete, e o mesmo botão muda de lado quando a tabela é outra.

Troque o internacional por um doméstico de R$ 480 que pede 12.000 milhas mais R$ 84. A tarifa limpa cai pra R$ 396, o milheiro efetivo fica em R$ 33, e o atalho a R$ 35 passa a vender mais caro do que o bilhete devolve.

Daí sai o primeiro corte, e ele reprova antes de qualquer outra comparação. O preço por milheiro do botão precisa ficar abaixo do milheiro efetivo do resgate que você quer emitir.

Passado o corte, o botão ainda não ganhou nada. Ele só se qualificou pra disputar com quem vende a mesma milha sem contador na tela.

 
 

II  1

A prateleira do lado cobra R$ 28

O programa que pede R$ 35 pra fechar o seu resgate vende milha avulsa por R$ 28 o milheiro quando a campanha de bônus abre. É a mesma milha, no mesmo saldo, com dois preços na mesma semana.

A compra avulsa em campanha é o piso realista de reposição. Fora da campanha, a tabela de compra do próprio programa passa de R$ 40 o milheiro, e é por esse motivo que quase ninguém compra milha em dia comum.

A diferença entre as duas portas é de R$ 7 por milheiro. Nas 12.000 milhas do exemplo, o buraco fecha por R$ 336 na promoção e por R$ 420 no atalho, uma distância de R$ 84 pelo mesmo saldo.

A distância cresce em linha reta com o tamanho do buraco. Oito mil milhas separam R$ 56, doze mil separam R$ 84, trinta mil separam R$ 210, sempre os mesmos R$ 7 multiplicados.

Se a conta parasse aqui, o botão nunca teria razão. Ele tem, e a razão está em três pedágios que a promoção cobra e ele não.

O primeiro é a janela. A campanha de bônus abre por três a cinco dias e reaparece a cada quatro a seis semanas, então na maior parte do calendário a prateleira barata está fechada.

O segundo é o prazo de crédito. A compra avulsa leva até 72 horas pra cair no saldo, e a reserva que segurava o assento não espera três dias.

O terceiro é o lote mínimo, e é ele que inverte a conta. A compra avulsa costuma começar em 5.000 milhas e andar de mil em mil, então buraco pequeno obriga a levar mais milha do que você precisa.

Faça a conta num buraco de 2.000 milhas. O botão cobra R$ 70 e credita na hora. A promoção cobra R$ 140 pelo lote mínimo de 5.000, deixa 3.000 milhas paradas na conta e ainda pede três dias.

O ponto de cruzamento sai de uma igualdade curta. R$ 0,035 por milha multiplicados pelo buraco alcançam os R$ 140 do lote mínimo exatamente em 4.000 milhas.

Abaixo de 4.000, o atalho custa menos que a menor compra possível, credita no mesmo minuto e não deixa sobra. Acima de 4.000, a promoção volta a ganhar e a vantagem cresce R$ 7 a cada milheiro.

As milhas que sobram do lote não entram como economia. Elas só valem alguma coisa se existir outro resgate à vista antes da validade, e saldo parado sem destino é o começo da história que trouxe você até o botão.

Falta a porta que não cobra nada em dinheiro. Ela cobra em meses, e o preço dela é o que decide os buracos grandes.

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III  2

O tamanho do buraco decide a conta

A terceira porta é o seu próprio acúmulo. Uma conta que credita 3.000 milhas por mês entre cartão, compras e transferências fecha o buraco de 12.000 em quatro meses e não gasta um real.

Visto assim, o botão não vende milha. Ele vende tempo, e o preço fica explícito quando você divide o valor pedido pelos meses que ele poupa: R$ 420 por quatro meses, ou R$ 105 pra cada mês pulado.

Nem sempre existe o mês pra pular. Casamento com data marcada, congresso, alta temporada e assento único no horário viável transformam a espera em desistência, e a disputa volta a ser entre o atalho e a promoção.

Quatro checagens fecham a decisão antes de o contador acabar.

1. Meça o buraco em meses, não em milhas. Divida as milhas que faltam pelo que a sua conta credita num mês normal. Doze mil milhas com acúmulo de 3.000 viram quatro meses, e quatro meses de espera é uma informação mais útil que o número cru de milhas.

2. Confira se o botão passa no corte do bilhete. O preço por milheiro do atalho precisa ficar abaixo do milheiro efetivo do resgate. R$ 35 contra R$ 45,75 passa com folga, R$ 35 contra R$ 33 reprova, e nenhuma pressa conserta a reprovação.

3. Veja o que a milha comprada não faz. Milha de complemento em geral não conta pra qualificação de status, não participa das campanhas de bônus e entra com a mesma validade das outras. Ela serve pra este bilhete e para nada além dele.

4. Leia a regra de cancelamento antes de fechar. As milhas costumam voltar ao saldo mediante multa, e o dinheiro do complemento raramente volta. Bilhete cancelado transforma o atalho na compra de milha mais cara do programa.

Com as checagens feitas, o tamanho do buraco entrega a resposta.

Buraco de até 4.000 milhas, o atalho vence. Custa menos que o lote mínimo da promoção, credita no mesmo minuto e o total desembolsado não passa de R$ 140.

Buraco de 4.000 até a metade do bilhete, a promoção vence sempre que houver campanha aberta e prazo até a reserva cair. Sem campanha aberta, o botão cobra R$ 7 a mais por milheiro, e a pergunta passa a ser quanto vale aquele assento naquela data.

Buraco maior que a metade do bilhete, nenhum dos dois. Num resgate de 50.000 milhas com saldo de 20.000, o botão pediria R$ 1.050 mais R$ 96 de taxas por um bilhete de R$ 1.560, e as suas 20.000 milhas teriam virado um desconto de R$ 414, ou R$ 20,70 por milheiro, abaixo do que o mercado paga por elas.

Refaça a divisão em cada emissão. O preço do atalho muda por programa, por tabela e por semana, e a tarifa em dinheiro do outro lado da conta muda de hora em hora.

Na nossa opinião: com atalho a R$ 35 e campanha a R$ 28 o milheiro, buraco de até 4.000 milhas merece o botão, e acima da metade do bilhete o botão só se justifica quando a data não é negociável.

"Quantas milhas faltavam da última vez que você apertou o botão?"

 
 
Quiz da edição

No exemplo do texto, o resgate pede 32.000 milhas, o saldo tem 20.000 e o botão cobra R$ 420 para completar as 12.000 que faltam. Quanto sai cada milheiro dentro dessa oferta do atalho?

AR$ 45,75
BR$ 28
CR$ 35
DR$ 40

Resultado da última edição: 0% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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